“Não quero ter razão. Eu quero ser feliz”. (Ferreira Gullar – escritor brasileiro)

Espaço Cultural – Jean Racine

“O amor é um fogo que ninguém consegue ocultar na alma; quem o sente o revela na voz, nos olhos e no silêncio.” (Jean Racine – poeta, dramaturgo e historiador francês)

Expansões

Ilustração: Renata Myers

Expansões
Paul Géraldy (dramaturgo e poeta francês)

Eu gosto, gosto de você!
Compreende? Eu tenho por você uma doidice…
Falo, falo nem sei o quê,
mas gosto, gosto de você.
Você ouviu bem isso que eu disse?…
Você ri? Eu pareço um louco?
Mas que fazer para explicar isso direito,
para que você sinta?.. O que eu digo é tão ôco!
Eu procuro, procuro um jeito…
Não é exato que o beijo so pode bastar.
Qualquer coisa que me afoga, entre soluços e ais.
É preciso exprimir, traduzir, explicar…
Ninguém sente senão o que soube falar.
Vive-se de palavras, nada mais.
Mas é preciso que eu consiga
essas palavras e que eu diga,
e você saiba… Mas, o quê?
Se eu soubesse falar como um poeta que sente,
– diga! – diria eu mais do que
quando tomo entre as mãos essa cabeça linda
e cem, mil vezes, loucamente,
digo e repito e torno a repetir ainda:
Você! Você! Você! Você!…

Tradução: Eu e você. Guilherme de Almeida, Companhia Editora Nacional, São Paulo, 12ª edição, 1971

Toi e Moi
Expansions (Paul Géraldy) – Versão original

Ah! je vous aime! Je vous aime!
Vous entendez? Je suis fou de vous. Je suis fou…
Je dis des mots, toujours les mêmes…
Mais je vous aime! Je vous aime!…
Je vous aime, comprenez-vous?
Vous riez? J’ai l’air stupide?
Mais comment faire alors pour que tu saches bien,
pour que tu sentes bien? Ce qu’on dit, c’est si vide!
Je cherche, je cherche un moyen…
Ce n’est pas vrai que les baisers peuvent suffire.
Quelque chose m’étouffe, ici, comme un sanglot.
J’ai besoin d’exprimer, d’expliquer, de traduire.
On ne sent tout à fait que ce qu’on a su dire.
On vit plus ou moins à travers des mots.
J’ai besoin de mots, d’analyses.
Il faut, il faut que je te dise…
Il faut que tu saches… Mais quoi!
Si je savais trouver des choses de poète,
en dirais-je plus —réponds-moi—
que lorsque je te tiens ainsi, petite tête,
et que cent fois et mille fois
je te répète éperdument et te répète:
Toi! Toi! Toi! Toi!…

“Às vezes nos sentimos num baile sem música, onde os dançarinos parecem apenas loucos.” (Madame de Stael – romancista e ensaísta francesa )

O pássaro cativo
Olavo Bilac (poeta, contista, cronista e jornalista brasileiro)

Armas, num galho de árvore, o alçapão…
E, em breve, uma avezinha descuidada,
Batendo as asas, cai na escravidão!

Dás-lhe então, por esplêndida morada,
A gaiola dourada;
Dás-lhe alpiste, água fresca, ovos e tudo.

Por que é que, tendo tudo, há de ficar
O passarinho mudo,
Arrepiado e triste, sem cantar?

É que, criança, os pássaros não falam.
Só gorjeando a sua dor exalam,
Sem que os homens os possam entender;
Se os pássaros falassem,
Talvez os teus ouvidos escutassem
Este cativo pássaro dizer:

   “Não quero o teu alpiste!
   Gosto mais do alimento que procuro
   Na mata livre em que voar me viste;
   Tenho água fresca num recanto escuro
   Da selva em que nasci;
   Da mata entre os verdores,
   Tenho frutos e flores
   Sem precisar de ti!

   Não quero a tua esplêndida gaiola!
   Pois nenhuma riqueza me consola,
   De haver perdido aquilo que perdi…
   Prefiro o ninho humilde, construído
   De folhas secas, plácido, e escondido,
   Entre os galhos das árvores amigas…
   Solta-me ao vento e ao sol!
   Com que direito à escravidão me obrigas?
   Quero saudar as pombas do arrebol!
   Quero, ao cair da tarde,
   Entoar minhas tristíssimas cantigas!
   Por que me prendes? Solta-me, covarde!
   Deus me deu por gaiola a imensidade!
   Não me roubes a minha liberdade…
   Quero voar! Voar!…”

Estas coisas o pássaro diria,
Se pudesse falar,
E a tua alma, criança, tremeria,
Vendo tanta aflição:
E a tua mão, tremendo lhe abriria
A porta da prisão…

Aquela senhora tem um piano
Fernando Pessoa (Alberto Caeiro) – poeta, filósofo, dramaturgo português

Aquela senhora tem um piano
Que é agradável, mas não é o correr dos rios
Nem o murmúrio que as árvores fazem…

Para que é preciso ter piano?
O melhor é ter ouvidos
E amar a natureza.

“Devemos promover a coragem onde há medo , promover o acordo onde existe conflito, e inspirar esperança onde há desespero.” (Nelson Mandela – advogado, líder rebelde e ex-presidente da África do Sul)

“Qualquer um pode cometer erros, mas apenas um tolo persiste em seu erro.” (Marco Túlio Cícero – advogado, político, escritor, orador e filósofo romano)

Espaço Cultural – Capa

“Não quero ter razão. Eu quero ser feliz”. (Ferreira Gullar – escritor brasileiro)