“Depois que eu morrer, prefiro que as pessoas se perguntem por que não tenho um monumento, e não por que o tenho.” (Marco Pórcio Catão – político e escritor da República Romana)

Meio século. Uma surpresa

Plácido Domingo

Na sexta-feira,23 de novembro, quando se encerrou para o intervalo o ato II de Il Trittico, de Puccini, na Metropolitan Opera de Nova York, o diretor do teatro Peter Gelb entrou no palco e chamou ao centro o barítono que fazia o papel principal. Plácido Domingo. Era uma surpresa: um filme com a história de sua carreira passou e Gelb lhe entregou um pedaço de madeira, naco que havia sido retirado do palco. O cantor completava, ali, 50 anos apresentando-se na principal casa americana. Já não tem mais a voz de tenor, mas segue se apresentando aos 77. O New York Times registrou e, claro, um dos presentes filmou.

Theo Souza

(Publicado em 03 de dezembro de 2018)

A arara de Churchill

A arara de Churchill

Com um comportamento bastante contemporâneo, uma centenária ainda tem energia para xingar direitistas, fascistas e, principalmente, Hitler. Seu nome é Charlie. É uma arara, acaba de completar 104 anos e pertenceu a Winston Churchill. Embora a soberba plumagem azul e ouro da ave tenha perdido um pouco de seu fulgor com os anos, “Charlie” manteve na velhice, pelo menos aparentemente, todas as suas faculdades. Entre suas expressões favoritas, estão “maldito Hitler” e “malditos nazistas”, que repete com o sotaque característico de Churchill. A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 26 de novembro, pelo “Daily Mirror”.

A arara de Churchill
Charlie. Sim, é ela mesma na foto. AFP

Churchill comprou o pássaro em 1937 e logo ensinou-a a xingar. “Churchill não está mais entre nós, mas graças a ‘Charlie’, seu espírito, seu palavreado e sua determinação perduram”, disse James Humes, especialista em vida e obra do histórico primeiro-ministro, citado pelo “Daily Mirror”.

José Eduardo Agualusa, escritor angolano, escreveu em coluna em O Globo que “no triste tempo em que vivemos, com o ressurgimento de movimentos neonazis na Europa e de fascismos vários, um pouco por todo o mundo, é uma consolação saber que a sólida, irreverente e indignada voz de Churchill ainda se faz ouvir, mesmo que seja por interposta pessoa — ou melhor, por interposta arara”. Nativa dos biomas da Floresta Amazônica e principalmente no Cerrado e Pantanal, não há registro pátrio de uma arara treinada para rotular políticos. Nem papagaios, outro frugívero nacional.

Theo Souza

(Publicado em 03 de dezembro de 2018)

Deu no NYT: a ciência também precisa de reforma
Deu no NYT: a ciência também precisa de reforma
Aristóteles lendo (reprodução)

Dos 20 mil genes presentes no nosso DNA, cerca de 5.400 nunca foram objeto de um único artigo. Uma pequena fração — 2.000 deles — tem ocupado a maior parte da atenção e são foco de 90% dos estudos científicos publicados nos últimos anos. Os motivos são vários, e dizem muito sobre como os cientistas fazem ciência. Um deles é que os pesquisadores tendem a se concentrar em genes que foram estudados por décadas — não só porque é mais fácil, mas porque os prêmios e a academia também estimulam isso. O problema é que, nesse ritmo, levaria um século ou mais para os cientistas publicarem pelo menos um artigo sobre cada um dos nossos 20 mil genes. Para especialistas, os cientistas não vão mudar seus caminhos sem uma grande mudança na forma como a ciência é feita — é preciso estimular e reconhecer quem faz apostas verdadeiramente desconhecidas, em vez de seguras. Os questionamentos e mais informações foram publicados no New York Times.

Álcool mata 3,3 milhões , diz OMS.

No Brasil, doença custa R$ 116,8 bi

Todos os anos, 3,3 milhões de pessoas morrem pelas consequências do consumo excessivo de álcool. O dado, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), indica que 5% das mortes do planeta em 2016 (último dado disponível pela OMS) tiveram relação com os hábitos em relação às bebidas alcoólicas. O levantamento considerou todas as consequências geradas pelo consumo de álcool: 29% das mortes, por exemplo, ocorreram por lesões em decorrência de acidentes de carro ou suicídios. De acordo com a OMS, os homens estão mais propensos a sofrerem os danos causados pelas bebidas alcoólicas: 2,3 milhões de pessoas do gênero masculino morreram em 2016.

Além dos homens, os jovens também estão suscetíveis a morrer por conta do consumo excessivo de álcool. Do total de mortes entre pessoas de 20 a 29 anos, 13,5% dos casos têm relação com as bebidas alcoólicas — o que representa 7,2% das mortes prematuras em todo o planeta.  Apesar dos números expressivos, a OMS afirma que a população global está se conscientizando dos riscos do hábito de beber em excesso. Segundo a publicação Galileu, o consumo de álcool diminuiu na Europa: o índice, que era de 10,9 litros de álcool puro por habitante (incluindo as pessoas que não bebem) em 2012, caiu para 9,6 litros em 2016. Tendências semelhantes foram observadas nas Américas.

Ranking – Em todo o planeta, os destilados são o tipo de bebida alcoólica mais consumida, correspondendo a 45% do total. A cerveja vem em segundo, com 34% do consumo.  Alguns dos países com as populações que mais consomem álcool são a Dinamarca, Noruega, Argentina, Alemanha, Polônia, França, Coreia do Sul, Suíça, Grécia, Islândia, Eslováquia, Suécia e Nova Zelândia. Já entre os mais “sóbrios” estão o Paquistão, Bangladesh, Egito, Mali, Marrocos, Senegal, Mauritânia, Síria, Indonésia, Nepal, Butão, Myanmar e Tunísia.

No que diz respeito às mortes associadas a bebida, os países islâmicos (que proíbem o consumo) também se destacam entre os que tem menos casos, se concentrando no Oriente Médio. São eles: Kuwait, Irã, Palestina, Líbia, Arábia Saudita, Iêmen, Jordânia, Síria, Maldivas e Singapura. Os que possuem mais casos fatais estão concentrados na região dos Países Bálticos, do Leste Europeu e da Ásia Central: Rússia, Ucrânia, Lituânia, Bielorrússia, Mongólia, Letônia, Cazaquistão, Lesoto, Burundi e República Centro-Africana.

Brasil – O consumo de álcool per capita no Brasil aumentou 43,5% em dez anos e agora supera a média internacional. Em 2006, cada brasileiro a partir de 15 anos bebia o equivalente a 6,2 litros de álcool puro por ano (medida que leva em conta o porcentual de álcool na bebida). Em 2016, a taxa chegou a 8,9. Com isso, o País figura na 49.ª posição do ranking entre os 193 avaliados. Os dados são da OMS que também estima uma perda de 7,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, em decorrência de problemas relacionados ao álcool. Ou seja, cerca de R$ 116,8 bilhões em 2017. Incluem-se, entre outros prejuízos para a economia, os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) com o tratamento de doenças associadas ao uso de álcool e às perdas da capacidade de trabalho em decorrência de acidentes de trânsito provocados por motoristas bêbados, desemprego e afastamento do trabalho custeado pela Previdência Social. O 2º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad) estima que 11,7 milhões de pessoas sejam dependentes de álcool no Brasil.

O quanto você tem se exercitado?

Quase metade da população adulta do Brasil — ou 47% — não pratica sequer o mínimo de atividade física recomendada, o que significa que essas pessoas correm risco elevado de desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, demência e até alguns tipos de câncer. O dado é da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estudou 168 nações em 2016 e publicou uma análise dos resultados na revista Lancet Global Health.

O mínimo de exercício necessário, semanalmente, é 150 minutos de atividade moderada, o que inclui o ato de caminhar e de subir escadas, ou 75 minutos de atividade intensa. As pessoas podem, ainda, misturar os dois tipos de atividade.

O alto índice de sedentarismo no Brasil puxa para cima a taxa média da América Latina, que é de 39,1%. O país do futebol é, entre os latino-americanos, o que tem a população mais parada.

A pesquisa revela que, no mundo, 1,4 bilhão de adultos faz menos exercício do que deveria. E o mais preocupante: o trabalho mostra um aumento significativo, desde o início do século, no índice de sedentarismo em países de alta renda. Essas nações desenvolvidas viram suas taxas de inatividade passarem de 32% em 2001 para 37% em 2016. Já as nações pobres tiveram, no mesmo período, um aumento médio de apenas 0,2 ponto percentual.

A OMS observou ainda que, em todos os países, com exceção de alguns da Ásia, a população feminina pratica menos exercícios do que a masculina. Uma hipótese para explicar isso é o fato de a maior parte do trabalho doméstico ficar a cargo das mulheres, em parte significativa das nações, o que faz com que elas tenham menos tempo para dedicar à prática regular de exercícios.

Em muitos casos, como em nações do Oriente Médio, as mulheres têm dificuldades para realizar exercícios ao ar livre, por exemplo. Além disso, a gravidez e o tempo voltado para os cuidados com os filhos também podem fazê-las se afastar da atividade física.

Theo Souza

(Publicado em 29 de outubro de 2018)

Netflix para ler – e pensar

Netflix para ler - e pensar

O Instituto Moreira Salles – IMS Paulista, lançou uma plataforma à la Netflix de ensaios literários e entrevistas. Chama-se Artepensamento. São 315 ensaios de 124 autores diferentes — entre eles, Jorge Coli, Paulo Leminski, Celso Lafer, Eugênio Bucci, Maria Rita Kehl, Marilena Chaui e Francis Wolff. O site já está no ar – artepensamento.com.br. É de graça.

2.527 crônicas da era de ouro

Netflix para ler - e pensar
Rubem Braga um dos maiores, senão o cronista-mor, em ilustração de Weberson Santiago

Rubem Braga um dos maiores, senão o cronista-mor, em ilustração de Weberson Santiago

O Instituto Moreira Salles (IMS) e a Casa de Rui Barbosa se uniram para criar o Portal da Crônica Brasileira, que dá acesso a recortes de jornal e transcrições de textos de grandes cronistas do país, como Paulo Mendes Campos, Rachel de Queiroz, Rubem Braga, Antônio Maria, Clarice Lispector e Otto Lara Resende.

O portal entra no ar com 2.527 itens desses autores presentes nos acervos do IMS e da Casa de Rui Barbosa, as duas instituições responsáveis pelo projeto. O site será, segundo as instituições, continuamente alimentado com novos textos e autores. A Casa de Rui Barbosa detém ainda os recortes de Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade e Vinicius de Moraes, e o IMS, os de Mário Quintana, que devem ser acrescentados em breve ao portal.

Os seis autores inicialmente reunidos fazem parte de uma geração que, nas décadas de 1950 e 1960, foi responsável pelo que ficou conhecido como a era de ouro da crônica. Também é grátis.

Reconhecimento oficial

literatura de cordel tornou-se patrimônio cultural do Brasil

Fonte: portal MEC

A literatura de cordel tornou-se patrimônio cultural do Brasil. A decisão foi tomada pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) – órgão colegiado de decisão máxima do instituto para as questões relativas ao patrimônio material e imaterial do país.

“O reconhecimento pelo Iphan era aguardado com ansiedade, porque a literatura de cordel alcançou um nível muito bom”, declarou a O Globo o presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), o cearense Gonçalo Ferreira da Silva, de 80 anos, com 300 cordéis e 30 livros publicados pela editora Ravelle. Fundada em 1988, por Gonçalo, a ABLC tem 40 acadêmicos e 27 “cordotecas” espalhadas pelo Brasil. Foi da entidade a iniciativa de pedir a proteção deste patrimônio nacional ao Iphan, em 2010. Segundo seu presidente, existem no país cerca de 60 cordelistas.

No ano passado, o Nexo pôs no ar um especial sobre os versos e traços do cordel e contou como essa literatura, com mais de um século de história, tem hoje seu fôlego renovado pela internet. Veja lá.

Moraes Moreira – Coincidentemente, Moraes Moreira foi buscar nas memórias de infância as melodias e a poesia dos autofalantes de praça ele nasceu em Ituaçu, Bahia, dos contadores de feira e dos repentistas do interior a inspiração para seu novo álbum, Ser Tão. “Há um tempo fiz esse mergulho no cordel, estudei a métrica, a rima, a contagem de sílabas. É necessário obedecer tudo, há muita complexidade. Era um estilo que já existia em minha música, mas era livre. Agora, entrei de cabeça nas regras, e isso fez evoluir minha poesia. É um retorno à raiz”, declara Moraes no press release.

Novo álbum tem nove músicas

Através de sua literatura de cordel, o artista revisita o Recôncavo , o samba de roda e outras sonoridades que remetem a suas origens. “Esse disco fala até do nascimento do cordel, que tem duas vertentes. Depois de ser tão livre, quis me prender um pouco às regras do gênero”, explica. Pelas nove músicas do álbum, Moraes homenageia Luiz Gonzaga (“O nordestino do século”), celebra o poeta inglês William Ernest Henley (“I am the captain of my soul”) e narra sua transformação “De cantor pra cantador”.

Há ainda uma entrevista que o autor deu ao Alta Fidelidade.

Theo Souza

(Publicado em 29 de outubro de 2018)

Uma questão de educação

O índice de pessoas que não cursaram o ensino médio no Brasil representa mais do que o dobro da média apurado em estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE

O Brasil é um dos países com o maior número de pessoas sem diploma do ensino médio: mais da metade dos adultos (52%) com idade entre 25 e 64 anos não atingiram esse nível de formação, segundo o estudo Um Olhar sobre a Educação, divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) na última semana de setembro. A organização de cooperação internacional composta por 35 países com sede em Paris, destaca que o menor nível de escolaridade tende a ser associado com a maior desigualdade de renda.

No caso do Brasil, o país registra o segundo maior nível de desigualdade de renda entre os 46 países do estudo, ficando atrás apenas da Costa Rica. O índice de pessoas que não cursaram o ensino médio no Brasil representa mais do que o dobro da média da OCDE. Na Costa Rica e no México, o percentual é ainda maior que o do Brasil: 60% e 62%, respectivamente, os mais elevados do estudo. Outros países latinoamericanos, contudo, têm melhor desempenho que o Brasil. Na Argentina, 39% dos adultos na faixa de 25 a 64 anos não concluíram o ensino médio, no Chile, o percentual é de 35% e, na Colômbia, de 46%. O estudo abrange as 36 economias da OCDE, a maioria desenvolvidas, e dez países parceiros da organização, como África do Sul, Argentina, China, Colômbia, Índia, Rússia e Brasil.

“Na maioria dos países da OCDE, a ampla maioria dos jovens adultos, com idade entre 25 e 34, tem pelo menos a qualificação do ensino médio. Em poucas décadas, o ensino médio passou de um veículo de ascensão social ao mínimo exigido para a vida em uma sociedade moderna”, afirma o relatório. Segundo a organização, os que deixam a escola antes de completar o ensino médio enfrentam não apenas dificuldades no mercado de trabalho, com menores salários, mas também têm competências cognitivas – memória, habilidades motoras, atenção, entre outras – bem inferiores aos das pessoas que possuem essa formação.

Disparidades – A organização também ressalta o número relativamente baixo de alunos com mais de 14 anos de idade inscritos em instituições de ensino no Brasil. Apenas 69% daqueles entre 15 e 19 anos e somente 29% dos jovens de 20 a 24 anos estão matriculados, de acordo com a OCDE. A média nos países da organização é, respectivamente, de 85% e 42%.

O Brasil enfrenta ainda “desigualdades regionais significativas” em relação ao ensino superior, diz o relatório. No Distrito Federal, 33% dos jovens adultos chegam à universidade. No Maranhão, o Estado com o menor PIB per capita, esse número é de apenas 8%. Essa disparidade regional entre alunos que conseguem atingir o ensino superior no Brasil “é, de longe, a maior na comparação com toda a OCDE e países parceiros”, incluindo grandes países como os Estados Unidos e a Rússia, que também possuem várias áreas de diferentes tamanhos e populações. “Assegurar que as pessoas tenham oportunidade de atingir níveis adequados de educação é um desafio crítico. O acesso ao ensino superior vem crescendo no Brasil, mas ainda é uma das taxas mais baixas entre a OCDE e países parceiros, e está abaixo de todos os outros países da América Latina com dados disponíveis”, ressalta o estudo, citando a Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica e México.

Baixo investimento – Apesar do Brasil investir uma fatia importante de seu PIB na educação, os gastos por aluno no Brasil, em especial com os do ensino básico, são baixos. No Brasil, 17% dos jovens adultos com idade entre 24 e 34 anos atingem o ensino superior. Em 2007, o índice era de 10%. Apesar da melhora, o desempenho ainda está cerca de 27 pontos percentuais abaixo da média da OCDE. “Para melhorar a transição entre o ensino e o mercado de trabalho, independentemente do cenário econômico, os sistemas de educação têm de se assegurar que as pessoas tenham as competências exigidas na vida profissional”, diz a organização.

Segundo a OCDE, apesar do Brasil investir uma fatia importante de seu PIB na Educação, os gastos por aluno, sobretudo no ensino básico, são baixos. O Brasil destina cerca de 5% do PIB à rubrica (dados de 2015), acima da média de 4,5% do PIB dos países da OCDE, diz o relatório.

O governo brasileiro gasta, porém, cerca de US$ 3,8 mil por estudante no ensino fundamental e médio, menos da metade dos países da OCDE. A despesa com os estudantes de instituições públicas de ensino superior, no entanto, é quatro vezes maior, US$ 14, 3 mil, pouco abaixo da média da OCDE, que é de US$ 15,7 mil. A diferença de gastos por estudante entre o ensino superior e o básico no Brasil é o maior entre todos os países da OCDE e economias parceiras analisadas no estudo da organização.

Theo Souza

(Publicado em 04 de outubro de 2018)

A devassa nos pássaros

dodô talvez seja o mais conhecido exemplo de pássaro que desapareceu do planeta devido à ação humana, mas o número de espécies extintas ou em vias de extinção é imenso. De acordo com o relatório State of the World’s Birds, divulgado pela ONG BirdLife International, indica que uma em cada oito espécies está ameaçada. São 1.469 aves em perigo, segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, sendo 222 em situação crítica.

Cena do filme Rio 2. No desenho, tudo bem
Extinta. Exceto por poucas que ainda vivem em cativeiro

A estimativa é que nos últimos 500 anos 183 aves desapareceram. Desde a virada do século, três espécies desapareceram na natureza: a ararinha azul, que vivia no norte da Bahia e agora só existe em cativeiro; o corvo do Havaí, que era encontrado nas matas dos vulcões Mauna Loa e Hualālai; e o Po’ouli, que vivia na ilha de Maui, também no Havaí, e foi considerado extinto em 2004, após a morte do último casal em cativeiro. “A gente acha que extinção é só para os dinossauros, mas está acontecendo agora, na nossa cara”,  alertou Pedro Develey , diretor executivo da ONG Save Brasil, braço da BirdLife International, à Globo. Para a ararinha azul ainda há esperança: existem indivíduos criados em cativeiro que poderão ser reintroduzidos na natureza.

A caça para abastecer o mercado ilegal de animais é a ameaça mais conhecida aos pássaros silvestres, mas está longe de ser a principal. Das 1.469 espécies em risco de extinção, 74%, ou 1.091, estão em perigo por causa do avanço da agricultura. A segunda maior ameaça é a exploração madeireira (50%, ou 734), seguida pela introdução de espécies invasivas (39%, ou 578) e, enfim, pela caça e captura (35%, ou 517). As mudanças climáticas são uma ameaça crescente, colocando em risco a existência de 485 espécies, 28% do total de aves ameaçadas.

Existem no mundo 10.966 espécies de pássaros conhecidas e ao menos 40% delas (3.967) têm suas populações sendo reduzidas. Das 1.469 espécies em risco, 222 são classificadas como em perigo crítico, 461 são ameaçadas e 786, vulneráveis. Existem ainda 1.017 espécies quase ameaçadas.

Além da destruição do habitat, o avanço da agricultura está envenenando os pássaros. O relatório destaca o caso do tico-tico de coroa branca (Zonotrichia leucophrys), que vive no Canadá, nos EUA e em alguns países europeus, em regiões agrícolas, onde se beneficia da fartura de grãos e da disponibilidade de água. Mas existem evidências de que esses pequenos pássaros estão sendo envenenados pelos inseticidas usados nas plantações.

O estudo também chama atenção para o efeito catastrófico das espécies invasivas. Nos últimos cinco séculos, animais exóticos a uma determinada região foram responsáveis, ao menos em parte, pelo desaparecimento de 122 espécies de pássaros, sendo o principal fator para extinções recentes. Os animais invasores que mais ameaçam as aves são os ratos e outros roedores (que causam impacto em 250 espécies), os gatos (202) e os cães (79) domésticos.

As mudanças climáticas, que muitos projetam para o futuro, já estão afetando as aves. Um estudo recente com 570 espécies mostrou que 24% delas estavam sendo impactadas negativamente pelo caos climático. Os efeitos em larga escala e longo prazo são desconhecidos, mas já foi detectada a tendência de avanço de pássaros de clima quente para regiões historicamente frias, levando competição, pondo em risco as espécies nativas.

BRASIL É O PAÍS COM MAIS AVES EM RISCO

Com grandes áreas florestais, o Brasil é o terceiro país com maior biodiversidade de pássaros, com 1.811 espécies catalogadas, sendo 252 endêmicas. Por outro lado, o país concentra o maior número aves em risco, com 169 espécies, sendo 22 em perigo crítico ou já extintas na natureza. O governo brasileiro já declarou extintas três delas: o limpa-folha do nordeste (Philydor novaesi), o gritador do nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti) e a corujinha caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum), mas a BirdLife ainda as classifica como em perigo crítico.

Araponga, Caboclinho e Pixoxó correm perigo. Veja a lista vermelha de pássaros ameaçados da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza)

Pixoxó – esse é cantador

“O problema é a Mata Atlântica”, explicou Pedro Develey, diretor executivo da ONG Save Brasil, braço da BirdLife International.  Cerca de 40% das aves ameaçadas no país são endêmicas da Mata Atlântica, o bioma brasileiro mais degradado. Restam apenas 11% das florestas nativas. E se a gente perde a mata, as espécies animais e vegetais vão junto.

A situação é mais urgente na Mata Atlântica do Nordeste, onde os pedaços de floresta restantes estão retalhados em pequenas “ilhas”, o que dificulta a expansão das populações e as torna vulneráveis. É lá que viviam a corujinha caburé, o limpa-folha e o gritador do nordeste. A choquinha de alagoas (Myrmotherula snowi) é outra ave do mesmo bioma extremamente ameaçada de desaparecer. Segundo Develey, existem cerca de 40 exemplares vivendo numa reserva particular em Murici, Alagoas.

O diretor da Save Brasil aponta outras duas espécies em situação crítica: o entufado baiano (Merulaxis stresemanni) e a rolinha do planalto (Columbina cyanopis), sendo a última redescoberta em 2016, após 75 anos sem ser avistada. No início do ano, a ONG, em parceria com a Rainforest Trust, adquiriu uma área de 593 hectares onde o animal foi visto para a criação de uma reserva particular.

A situação e o prognóstico não são positivos, mas os esforços de conservação devem ser celebrados. O documento destaca que desde a virada do século 25 espécies foram removidas da lista de perigo crítico graças a programas de proteção. A receita envolve a proteção de habitats existentes, recuperação de áreas degradadas, controle de espécies invasoras e ações direcionadas para a espécie ameaçada. Em casos extremos, programas de reprodução em cativeiro podem reintroduzir espécimes na natureza.

Theo Souza

(Publicado em 04 de outubro de 2018)

Andrew Solomon

Andrew Solomon
Andrew Solomon
Andrew Solomon

Andrew Solomon, jornalista, escritor de política, cultura e psicologia, venceu o National Book Award de 2001 com seu livro O demônio do meio-dia: Uma anatomia da depressão, considerado pelo jornal The Times como um dos cem melhores livros da década.

Ele é o autor de Longe da Árvore, livro premiado em 2012 com o National Book Critics Award.

Solomon nasceu em 30 de outubro de 1963, em Manhattan, onde também cresceu. Recebeu seu bacharelado em Inglês pela Universidade de Yale, em 1985, e posteriormente mestrado em inglês no Jesus College em Cambridge.

É Ph.D. em psicologia pelo Jesus College.

Sua mãe, Carolyn Bower Solomon, optou pelo suicídio assistido, após uma longa batalha contra um câncer de ovário. Posteriormente, Solomon descreveu esta experiência em um relato ficcional em seu único romance – A Stone Boat.

Solomon sofre de depressão crônica que administra com psicoterapia e medicamentos anti-depressivos.

É professor de Psicologia Clínica no Columbia University Medical Center e presidente do PEN American Center.

É ativista em direitos LGBT, saúde mental, educação e artes.

Faz palestras sobre depressão e é professor de Psiquiatria no Well-Cornell Medical College e diretor do Centro de Depressão da Universidade de Michigan.

É Conselheiro Especial em saúde mental Lésbica, Gay, Bissexual e Trangênero na Yale School of Psychiatry, entre outras atribuições.

Em abril de 2016, a editora Scribner publicou Far and Away: How Travel Can Change the World, uma coleção de reportagens internacionais de Solomon desde 1991, livro incluído, pelo New York Times, na sua lista dos cem mais notáveis livros de 2016. No Brasil, chegou às bancas pela Companhia das Letras em março, com o título Lugares Distantes.

Solomon participou de muitas entrevistas na televisão e esteve no Brasil, na FLIP, em 2014. É frequentemente convidado pela mídia para falar sobre saúde mental, família e deficiências em geral.

Atualmente vive entre Nova Iorque e Londres, com seu marido e um dos filhos.

Fontes:
https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,livro-de-andrew-solomon-mostra-que-viajar-pode-ser-o-antidoto-contra-a-intolerancia,70002221249
http://andrewsolomon.com/andrew-solomon-biography/
https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/a-depressao-esta-sempre-ali-de-alguma-forma-diz-andrew-solomon-13394980
-https://pt.wikipedia.org/wiki/Andrew_Solomon

Patrícia Rati

(Publicado em 28 de setembro de 2018)

Longe da árvore

Fonte Imagem: Livraria Saraiva

Longe da Árvore, publicado pela Companhia das Letras em 2013, é um livro escrito por Andrew Solomon, onde ele analisa o que acontece com as famílias que têm filhos fora dos padrões habituais. Aquelas famílias que precisam se ajustar aos filhos, quando descobrem que têm autismo, ou são surdos, ou transgêneros ou crianças prodígio. Crianças diferentes que por isso entraram em confronto com o afeto de seus pais.

São transtornos ou deficiências que devem ser considerados doenças e tratados ou devem ser considerados como identidades?

Solomon, ele próprio, era disléxico e recebeu muito apoio e orientação de seus pais, conforme ele mesmo descreve, mas o mesmo não ocorreu, quando se viu às voltas com sua homossexualidade.

Ele define essas crianças divergentes como identidades horizontais – diferentes dos padrões familiares e sociais pré-determinados – com graus variados de influências ambientais e genéticas e que compõem uma dura prova aos sentimentos de amar e respeitar dos pais e familiares próximos.

É um livro sobre aceitação do outro, celebração da diversidade, superação do preconceito e entrega ao amor verdadeiro.

Título original: FAR FROM THE TREE: PARENTS, CHILDREN, AND THE SEARCH OF IDENTITY
Título em português: Longe da árvore
Tradução: Pedro Maia Soares, Donaldson M. Garschagen e Luiz A. de Araújo
Páginas: 1056
Lançamento: 25/09/2013
Editora: Companhia das Letras

Patrícia Rati

(Publicado em 28 de setembro de 2018)

A pílula mágica

Fonte Imagem: IMDb

Documentário exibido pela Netflix, “A pílula mágica” aborda a inadequação de nossa alimentação, tão diferente daquela que nossos antepassados faziam. Porque apesar de toda a história da humanidade mostrar que sobrevivemos graças a uma dieta natural, sem açúcar e sem alimentos processados, nos últimos tempos aderimos a dietas completamente opostas e fáceis de adquirir, industrializadas e açucaradas.

A proposta é promover a dieta cetogênica. Sim, gordura animal, gordura saturada e com zero açúcar, causador e coadjuvante de várias doenças modernas. O filme acompanha a saga de pessoas em diferentes situações de vida que se submetem ao experimento da dieta cetogênica, com resultados bons, na opinião de médicos, fazendeiros e outros especialistas da área de saúde, trazendo o alento de que esta dieta pode erradicar doenças comuns como obesidade, diabetes e hipertensão, por exemplo.   

A PÍLULA MÁGICA
Título original: The Magic Pill
Gênero: Documentário
Ano: 2018
Direção: Rob Tate
Produção: Pete Evans, Robert Tate
Roteiro: Robert Tate
Elenco: Pete Evans, Nora Gedgaudas, Rob Tate

Patrícia Rati

(Publicado em 21 de setembro de 2018)