O mar deve ter um coração

(Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

Em interessante matéria publicada por Paula Paiva Paulo, no G1, pai e filho de uma aldeia indígena do Mato Grosso, acostumados com a água doce do rio Papagaio, foram conhecer a água salgada do mar de Santos.

Vieram a São Paulo, convidados para participar de um seminário sobre as modalidades da fala entre os indígenas.

Hesitantes a principio, um deles comentou sobre a água muito salgada e grudenta, enquanto o outro comparou o vai e vem das ondas com o movimento de um coração.

“As águas vão e voltam, nunca correm só numa direção. Ele é como o sangue do nosso corpo, que pulsa sem parar. Por isso o mar deve ter um coração também, que nem a gente”.

Para o povo Myky, os elementos da natureza têm um “dono espiritual” e podem morrer se não forem cuidados.

Leiam a matéria completa em https://g1.globo.com/olha-que-legal/noticia/2018/07/20/indios-do-mato-grosso-veem-o-mar-pela-primeira-vez-em-santos-veja-video.ghtml

Patrícia Rati

(Publicado em 10 de agosto de 2018)

Nunca houve um castelo

Fonte Imagem: Livraria Cultura

A autora, Martha Batalha, conta, em seu romance, a trajetória da família de Johan Edward Jansson, cônsul da Suécia no Brasil, no inicio do século XX. O casal se forma em uma passagem de ano em Estocolmo, se casa e vem viver sua saga familiar no Rio de Janeiro, onde constroem um castelo na então distante e erma Ipanema, em 1904.

O texto é muito sensível, com bom humor e dramaticidade balanceados, e os personagens complexos se misturam à história do Brasil nas últimas décadas, trazendo os ideais femininos, o desejo de ascensão social, a revolução sexual, e a política mesclada à deterioração do país.

Ao longo do século em que se passa o romance, refletimos sobre escolhas, arrependimentos e mudanças pessoais e temporais, enquanto o Rio de Janeiro se desenvolvia e se transformava.

Título original: NUNCA HOUVE UM CASTELO
Autora: MARTHA BATALHA
Capa: Claudia Espínola de Carvalho
Lançamento: 02/04/2018
Selo: Companhia das Letras

Patrícia Rati

(Publicado em 03 de agosto de 2018)

Manoela – Conto

Ilustração: Ana Razuk

Quando Manoela caiu em si, o mundo estava de cabeça para baixo. Ergueu-se devagar e contraía o rosto; dor a cada movimento.
Houvera uma guerra. Uma batalha sangrenta. O ódio inusitado, a falta de sentido, duas crianças caídas, no relaxamento da morte, como se dormissem.
Manoela frágil, fraca, triste, uma dolorosa lástima pelas perdas viscerais que teve.
Ergueu-se de novo. Começou reunindo os brinquedos, juntou em um saco de juta e levou até a escola duas quadras à frente.
Os danos manifestos em cada grão de terra e nas gotas vermelhas, e nas feridas das paredes.
Distribuiu, entre as crianças que sobreviveram, os brinquedos e as roupas que as filhas não precisavam mais. Reconheceu a gratidão nos olhos miúdos e trágicos. Ali era seu lugar. Não interessava quantas vezes fosse arrancada da terra. Ia brotar de novo. Viçosa e plena.
Com o tempo trocou a ferida por uma pequenina cicatriz em forma de estrela.
Caprichou na voz e nos argumentos. Defendeu a todos e os ensinou a ser fortaleza.
Catou lá de dentro da ferida o empenho para ajudar e transmudar toda a gente.

Patrícia Rati

(Publicado em 27 de julho de 2018)

Manhunt: Unabomber – Drama

Fonte Imagem: Adoro Cinema

A série trata da história do agente do FBI Jim Fitzgerald (Sam Worthington) contratado para encontrar e capturar um dos maiores terroristas dos EUA (a série é baseada em fatos reais). Fitzgerald utiliza o que chamou de Linguística Forense para identificar aquele que há mais de 15 anos engana a polícia. Os agentes do FBI não dão crédito ao novato e preferem seguir em frente com suas teorias obsoletas e impressões erradas, que há tantos anos indicam um autor que não condiz com o perfil que o novo contratado imagina pertencer ao serial bomber.

Ted Kaczynski, o Unabomber, (Paul Bettany), um prodígio que aos 16 anos estava em Harvard, estabeleceu uma filosofia de vida toda própria, e através de seu manifesto – A Sociedade Industrial e seu Futuro – expõe seu modo de pensar, mas também seu estilo muito próprio de escrever.

A análise linguística do manifesto poderia ser feita hoje baseada em uma máquina, mas nos anos 90 estava começando e era quase desconhecida. Fitzgerald precisava impor seus métodos o tempo todo e seu trabalho levou à captura de Kaczynski 17 anos depois da primeira explosão de bomba em 1978.  

Apesar de previsível, a fórmula da série é irresistível, temos um herói e torcemos por ele. Além da história do dia a dia do herói, também conhecemos e entendemos a história do menino prodígio que se transformou em um serial killer.

Manhunt: Unabomber – Drama
Criação:
Andrew Sodroski
Jim Clemente
Tony Gittelson
Atores:
Sam Worthington
Paul Bettany
Jeremy Bobb
Keisha Castle-Hughes
Lynn Collins
Brían F. O’Byrne
Elizabeth Reaser
Ben Weber
Chris Noth Produção executive:
Dana Brunetti
John Goldwyn
Troy Searer
Andrew Sodroski
Kevin Spacey
Greg Yaitanes

Discovery Channel
Setembro 2017

Patrícia Rati

(Publicado em 27 de julho de 2018)

1565 – Enquanto o Brasil nascia

Fonte Imagem: Livraria Saraiva

Escrito em uma narrativa jornalística agradável, em ritmo de prosa, “1565 – Enquanto o Brasil Nascia”, do jornalista Pedro Dória, conta a saga da família Sá que mandou e desmandou na construção do Rio de Janeiro na época de seu desenvolvimento.  A partir da fundação do Morro do Castelo e chegando aos distantes engenhos de Realengo, Engenho de Dentro, Engenho Novo, e os vários caminhos que foram abertos para os outros bairros da cidade, o autor nos brinda com histórias sobre a origem e o porquê dos nomes que hoje carregam, Botafogo, Gávea e Copacabana, por exemplo.

A influência das várias correntes religiosas da Igreja Católica também é abordada no livro com seu importante papel histórico: os beneditinos, os carmelitas e principalmente os jesuítas. 

Trata também da questão dos escravos negros e indígenas, que na sociedade daquela época eram a força motriz e de poder, e sua oscilação de acordo com o que acontecia no mundo e que influenciava os rumos que o Brasil tomava.

Pedro Dória, apaixonado pelo Rio de janeiro juntou as informações difusas que havia sobre esta época para repartir seu sentimento com o leitor. Conhecer o centro do Rio de Janeiro depois dessa leitura pode ser mais gratificante.

Título: 1565 – ENQUANTO O BRASIL NASCIA: A AVENTURA DE PORTUGUESES, FRANCESES, INDIOS E NEGROS NA FUNDAÇAO DO PAÍS
Ano de edição: 2012
Edição: 1ª
Autor: Pedro Doria
Editora Nova Fronteira

Patrícia Rati

(Publicado em 20 de julho de 2018)

Mentes depressivas

Fonte Imagem: Livraria Saraiva

Em “Mentes Depressivas”, a psiquiatra, dra. Ana Beatriz Barbosa Silva, aborda de maneira didática e simples os inúmeros aspectos da depressão. Desde a compreensão e identificação de um quadro depressivo, passando pelas causas, os diferentes tratamentos e as associações com outras patologias. Também aborda, separadamente, a depressão durante a infância e a adolescência e na terceira idade. Fala da depressão feminina e sua relação com as questões hormonais. Sua linguagem é bastante acessível e ela transmite um alento ao mostrar casos e situações em que houve sucesso pessoal nas abordagens. Também demonstra seu grande prazer em tratar, cuidar e trazer de volta seus pacientes do estado depressivo à vida ativa. Incita esperanças a todos em um mundo onde a falta de um objetivo e de um lastro espiritual pode lançar as pessoas em uma escuridão sem fim.

MENTES DEPRESSIVAS- AS TRES DIMENSOES DA DOENÇA DO SECULO
Autor: SILVA, ANA BEATRIZ BARBOSA
Edição 1
Ano 2016

Patrícia Rati

(Publicado em 13 de julho de 2018)

Mergulhos fantásticos

O médico anestesista e mergulhador Richard Harris, especialista em resgate em cavernas, foi quem conseguiu chegar onde os meninos da Tailândia estiveram presos por nove dias e foi uma das últimas pessoas da equipe de resgate a deixar o local.

Foi ele quem avaliou as condições clínicas das crianças e do técnico, definiu a ordem em que deveriam deixar a caverna e participou de todo o projeto da operação.

Segundo Sue Crowe, amiga de Harry, a presença calma do amigo confortou as crianças na caverna. Ela ainda disse que ele se certificaria de que elas estariam preparadas da melhor maneira possível para a possibilidade do mergulho. “Ele era a pessoa perfeita para apoiá-las”, disse Sue.  

O médico tem trinta anos de experiência em mergulho em grutas do mundo todo, é fotógrafo subaquático e já realizou várias expedições em cavernas da Austrália, Nova Zelandia e China. Seu trabalho é conhecido pelas equipes de emergência em desastres naturais na região do Pacífico. Ele trabalha para o Serviço de Ambulâncias de Austrália do Sul (MedStar) e estava em período de férias quando foi solicitado para ajudar no resgate. Bill Griggs, antigo chefe da equipe de resgate da Med Star, comentou que para se fazer mergulho em caverna é preciso muita atenção aos detalhes e ser meticuloso; e a experiência médica no caso de Harris foi um bônus importante.

Entretanto Harris é integrante de um grupo de 90 mergulhadores responsáveis pela operação sendo que 40 deles são tailandeses.

Graças ao conhecimento técnico, à coragem e a eficiência desses profissionais habituados a lidar com o estresse das mais diversas formas, o resgate dos Javalis Selvagens e seu técnico foi um sucesso e o mundo se tornou melhor por isso. Vimos as entranhas de uma caverna inundada, doente, precisando de cuidados intensivos. Neste post, mostro duas regiões do mundo onde o mergulho em cavernas é bonito demais e nos traz relaxamento e paz.  

Tecnicamente, o mergulho não parece fácil de ser executado. Entretanto, apesar de as primeiras tentativas poderem ser assustadoras, a experiência pode ser mágica e inesquecível.

Além do curso de mergulho básico, tem-se o curso de mergulho avançado, o de resgate, de naufrágio e Dive Master, visando a profissionalização. 

Para o mergulho autônomo SCUBA (Self Contained Underwater Breathing Apparatus) são necessários cursos de preparo e licença, quando o mergulhador precisa aprender a lidar com questões físicas, fisiológicas e de risco, em função da pressão e temperatura diferenciadas em profundidades maiores.

As cavernas de Akumal

No México, além das praias mais incríveis do mundo, podemos visitar cavernas e rios subterrâneos literalmente imersos em misticismo. O passado Maya envolve toda a região de mistério e magia. Cenotes são pequenas aberturas que deixam ver águas muito azuis e cristalinas de água doce, que os Mayas acreditavam ser a passagem para o outro mundo.

Mergulhar em alguns dos cenotes mexicanos requer um certificado de mergulho, experiência técnica. A água fresca, em torno de 24 graus, cristalina, extremamente quieta, nos transporta para um mundo de silencio e repouso.

Nesta caverna, perde-se o contato com a luz do sol, e ali não é possível voltar à superfície rapidamente em caso de pânico. Por isso é preciso treinamento técnico e controle emocional, e estratégias como pequenos grupos, além de medidas de segurança extremas como guias treinados, com dois tanques, e sinalização ostensiva da caverna.  Em paz, podem-se observar grandes salões que à luz da lanterna revelam estalactites e estalagmites de formas variadas e colunas alongadas, por onde a luz penetra mostrando nichos escondidos e intrigantes.

Foto de Renata Linger
Foto de Renata Linger

Outro lugar imperdível para os mergulhadores apaixonados pelo esporte, uma das maravilhas subaquaticas do mundo, é Palau, um país insular da Micronésia no Oceano Pacífico. O arquipélago belíssimo, repleto de vida marinha e cores, permite maravilhosos mergulhos em cavernas, para serem explorados com luz e câmera.

Estes mergulhos estão mais indicados àqueles com certificados de especialista em mergulho em cavernas, a não ser na caverna maior onde a entrada e saída são de fácil acesso. Na caverna chamada Blue Holes, corais proliferam nas paredes; barracudas e grandes cardumes de atum e pargo, além de peixes tropicais coloridos ocasionalmente nadam atravessando o espaço, seguindo as correntes marítimas externas.  O Túnel Siaes tem três aberturas a partir da parede do recife. Muitas criaturas se escondem dentro das fendas e rachaduras no interior deste túnel. Podem-se ver, às vezes, arraias e tubarões brancos descansando no fundo.

A caverna Chandelier apresenta estalactites e estalagmites que brilham quando tocados pela luz.

A experiência do mergulho pode ser transcendental.

Foto de Maristela Monachini
Foto de Maristela Monachini

Fontes:
-https://observador.pt/2018/07/09/medico-e-mergulhador-quem-e-o-australiano-envolvido-no-resgate-na-tailandia/
-https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2018/07/11/o-mergulhador-medico-australiano-que-ficou-com-meninos-na-caverna-ate-o-final.htm
-https://blog.dreampass.com.br/2017/10/02/por-que-investir-em-uma-experiencia-de-mergulho/
-https://viagemeturismo.abril.com.br/blog/achados/para-fazer-antes-de-morrer-mergulhar-em-um-cenote-mexicano/
-http://www.justgottadive.com/dive_resources/travel_articles/cave-diving-palau-amazing-blue-holes-siaes-tunnel-and-chandelier-cave#.W0Tapy1y8mI

Patrícia Rati

(Publicado em 13 de julho de 2018)

Você já é Jomo?

Se a tendência virar realidade, eles voltarão a ficar um de frente para o outro. E conversarão

De acordo com a nova tendência, devemos valorizar mais nossa própria vida do que ficar admirando o que os outros têm e fazem das suas vidas. Afinal, se você olhar bem, vai perceber que o seu cachorro é tão, ou mais interessante do que o cão da sua amiga, que preparar suas refeições é mais eficiente do que ficar sabendo o que seus amigos estão comendo. Ter seu próprio estilo é mais interessante do que verificar o que as pessoas estão vestindo, e que sair com seus amigos é mais divertido do que apenas acompanhar virtualmente as fotos daquela balada que você nem foi. Ou, pior, para que correr o risco de perder o emprego por ficar horas ‘pendurado’ no Facebook? Sim, os patrões – e os chefes – sabem: as redes sociais são os vilões da produtividade.

Funcionar com, digamos, recato é uma nova e bem-vinda tendência. É ser Jomo (prazer em ficar por fora). Jomo desbancou a expressão Fomo, famosa por significar o oposto: “fear of missing out” (medo de ficar por fora). Aquele sentimento que se tem, ao olhar a timeline, de sempre estar perdendo alguma notícia essencial ou de que a vida dos amigos é muito melhor do que a nossa. Um número cada vez maior de pessoas está descobrindo que é muito mais divertido aproveitar a própria vida do que acompanhar virtualmente a dos outros (e ter a sua acompanhada).

Ser adepto do Jomo (joy of missing out) não significa ser alienado, mas sim, usar a internet de forma mais inteligente: ler notícias, saber do trânsito, fazer transações bancárias – e até checar o Facebook. Mas só quando estiver com tempo livre. Segundo especialistas em comportamento, as tecnologias não são inimigas, pois facilitam nossa vida e ajudam na comunicação. O que não pode é fazer mau uso dessas ferramentas e permitir que elas prejudiquem seu trabalho ou convívio social. Se o que você vai publicar ou compartilhar não acrescenta nada de positivo a sua vida, então é melhor não participar. Se todo mundo usar com sabedoria o que a internet tem de melhor, poderemos voltar a ver a vidas ao vivo, em cores e formas reais, e não apenas virtuais.

Esse novo comportamento que, na verdade, é o antigo – e quem tem mais de 35 sabe disso, remete a inúmeros questionamentos que vão desde a etiqueta – afinal, convenhamos, é falta de educação ficar teclando ou olhando se alguém enviou algo durante a refeição. Aliás, os mais radicais acham que é falta de educação falar ao telefone fora de uma mesa de trabalho ou de um reservado aparador na sala doméstica – passando pela educação até chegar a compulsão.

Dosimetria – O comportamento compulsivo – seja ele relacionado a comida, sexo, esportes, autodisciplina ou até piadas ruins – faz com que a pessoa perca o controle sobre o quanto algo ocupa de energia e tempo na sua vida, de tal forma que essa atividade atrapalha outras esferas sociais, como a do trabalho e das relações pessoais e familiares, chegando até a ser prejudicial à   saúde. Com tecnologia e o meio digital, o quadro não é diferente.

No fim de 2017, a OMS (Organização Mundial de Saúde) decidiu incluir a compulsão por jogos eletrônicos como transtorno mental em sua lista referência de doenças. A obsessão por celulares, seja para acessar redes sociais, jogar algo como passatempo ou checar e-mail, não é configurada como doença, mas não deixa de ser percebida como um problema. Em agosto de 2016, a cantora americana Selena Gomez (cujo site vende até roupas) jogou luz sobre a questão ao cancelar sua turnê por motivos de saúde. A jovem celebridade do pop disse estar sofrendo de depressão e ansiedade e apontou seu uso de redes sociais, em especial o Instagram, como responsáveis. No Brasil, o cantor Tiago Iorc tomou uma decisão semelhante. Em publicação feita no Instagram no dia 7 de janeiro, o músico diz que estava precisando de um descanso e se ausentaria “dessa nossa vida instagrâmica que nos consome”.

Na outra ponta, a Apple começou 2018 levando uma “bronca” de seus acionistas, cobrada pelo grupo de investimento Jana Partners e pelo CalSTRS, o fundo de aposentadoria dos professores da Califórnia, a adotar medidas que deem aos pais uma forma de limitar o tempo gasto por seus filhos nas redes sociais, em jogos e outras atividades digitais por meio dos celulares e tablets fabricados pela empresa. Os acionistas estão preocupados com os efeitos viciantes – que eles chamam de “consequências negativas não intencionais” – das novas tecnologias sobre a geração que está crescendo rodeada por elas. Em uma carta aberta publicada no dia 6 de janeiro, os dois grupos citaram uma série de pesquisas que embasam o pedido, como a que aponta que um grande número de professores no Canadá percebeu aumento de distração e sono, bem como queda de foco e interações sociais, nos intervalos das aulas, entre seus alunos. Outra grande empresa pressionada nesse sentido foi o Facebook. Em meados de dezembro de 2017, fez uma longa publicação intitulada: “Passar o tempo nas redes sociais faz mal?”. Nela, o Facebook cita os prós (como as benesses da constante interatividade entre amigos e familiares) e contras (o consumo passivo de informações e publicações, que faz as pessoas se sentirem mal) já apontados por meio de estudos acadêmicos.

Enfim, saber dosar é a grande saída. Mas se a humanidade fosse boa nisso certamente o mundo não estaria como está. Por fim, esbalde-se com o que escreveu a respeito do celular, este aparelho onde falar tornou-se obsoleto, o homo universalis Umberto Eco em sua coluna La Bustina di Minerva (referência aquelas caixas de fósforos de papel que aberta dão espaço para escrever, por exemplo, um número de telefone) para a revista L’ Expresso.

“No início dos anos 1990, quando poucas pessoas tinham telefones celulares, mas estas poucas já conseguiam transformar uma viagem de trem numa coisa insuportável, escrevi uma Bustina bastante irritada. Dizia, em síntese, que o celular só devia ser permitido para os transplantadores de órgãos, os bombeiros hidráulicos (em ambos os casos, pessoas que, para o bem social, precisam ser encontradas de imediato onde quer que estejam) e os adúlteros”. Continue a leitura de O celular revisitado aqui.

Selena Gomez-https://www.selenagomez.com/
Tiago Iorc-https://www.facebook.com/iorcmusic/
Umberto Eco-https://www.cartacapital.com.br/revista/1000/Como-Bauman-Umberto-Eco-tambem-viu-uma-sociedade-liquida

Theo Souza

(Publicado em 06 de julho de 2018)

Lixo eletrônico

Fonte Imagem: Pixabay

Equipamentos eletrônicos como CPUs, monitores, teclados, mouses, estabilizadores, no-breaks, impressoras, telefones, celulares, carregadores de celulares, fios e cabos, projetores, aparelhos de fax, CDs, DVDs, além de pequenos objetos como câmeras fotográficas, pilhas, baterias e cartuchos que são descartados diariamente e em grande quantidade por todos nós, e que têm em sua composição dezenas de substâncias que podem contaminar pessoas, animais e o meio ambiente em geral, tais como metais pesados (chumbo, mercúrio, cadmio) e outros agentes tóxicos, não podem ser descartados como lixo comum ou como lixo reciclado. 

Na era digital e com o avanço da tecnologia, consumimos cada vez mais produtos e não pensamos muito nas consequências deste descarte leviano.

Além da poluição do ambiente, já sobrecarregado, deixamos de reciclar uma infinidade de material, além de aparelhos ainda úteis que podem ser reutilizados por outras pessoas em comunidades carentes, por exemplo.

Aparelhos eletrônicos possuem placas com circuitos que utilizam mais de 60 tipos de elementos químicos, alguns deles extremamente tóxicos.

Fonte Imagem: Recicloteca

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) – Lei 12.305/2010 e sua regulamentação (Decreto 7404/2010) já em 2010 definiu o procedimento a ser adotado para descarte de vários resíduos, inclusive lixo eletrônico, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos. As empresas estão obrigadas a fazer a logística reversa.

A falta de informação sobre como descartar o lixo e, principalmente, o descaso da população em geral, contribuem para a dificuldade de se conter as toneladas de lixo tóxico criadas.

Entretanto, segundo Gabriela Otero, coordenadora do departamento técnico da Abrelpe, se atualmente déssemos o destino correto a todo o lixo eletrônico, não teríamos capacidade para absorver todo esse material.

A logística reversa é a forma de processar o material eletrônico descartado através de cada empresa envolvida nos produtos, que recolhe seu material obsoleto ou viabiliza a coleta e restitui os resíduos sólidos ao setor empresarial para reaproveitamento em seus ciclos produtivos, ou para outros destinos. Esta atividade visa o desenvolvimento econômico e social da sociedade de consumo que começa muito lentamente a tomar consciência da destruição irreparável de seu meio ambiente.

O que se deve fazer:

Primeiramente, pode-se procurar a loja onde o produto foi comprado porque elas podem fazer a ponte entre o consumidor e o fabricante, ou empresas de reciclagem.   Outra opção é procurar “o atendimento ao consumidor” do fabricante para saber se têm algum tipo de logística reversa; e por fim, pode-se buscar na cidade ou região pontos de coleta de lixo eletrônico que sejam certificados pelos órgãos ambientais locais.

Imagem: Fluxograma de funcionamento do CEDIR USP

O CEDIR (Centro de Descarte e Reúso de Resíduos de Informática) da USP, foi inaugurado em 2009 e já recebeu vários prêmios. A divulgação da iniciativa despertou a atenção de muitas universidades e prefeituras para a questão do lixo eletrônico. O CEDIR também promove um curso de treinamento que capacita catadores para a reciclagem segura de equipamentos eletrônicos.

Nos centros de reciclagem, há um processo de triagem do material.  Aqui também há  três caminhos: O reuso, quando as peças ainda em funcionamento são utilizadas para consertar outros aparelhos; a reciclagem, destinando os fios, metais ferrosos e não ferrosos, alguns plásticos e borrachas; e por último tentar devolver ao fabricante. 

Você deve ter consciência das suas pegadas tóxicas. Procure na internet os pontos de coleta de lixo eletrônico em sua cidade ou próximo a ela. Descarte corretamente.

Fontes:
-https://tecnologia.uol.com.br/noticias/redacao/2018/06/26/o-que-fazer-com-os-aparelhos-eletronicos-encostados-na-sua-casa.htm
-http://www.recicloteca.org.br/noticias/pilhas-e-baterias-importancia-do-descarte-correto/
-http://www5.usp.br/2080/curso-de-reciclagem-leva-seguranca-ambiental-e-renda-para-catadores/
-https://social.stoa.usp.br/neucib/blog/fluxograma-de-funcionamento-do-cedir-usp

Patrícia Rati

(Publicado em 06 de julho de 2018)

Fonte Imagem: Adoro Cinema/Foto Graham Chapman, Terry Jones

Popular no Reino Unido e cultuado no resto do mundo, o grupo inglês de comédia Monty Python chegou à Netflix. O canal de streaming disponibilizou agora os longas-metragens do grupo, como “A vida de Brian” e “Em busca do cálice sagrado”, e os 45 episódios da série televisiva “Monty Python’s Flying Circus”. Se o humor do grupo, que nasceu meio século antes do Porta dos Fujndos, era frequentemente surrealista e nonsense, havia também muito espaço para referências da literatura e da filosofia. O mundo político também entrava na mira do grupo. Não tanto por meio da gozação de personagens ou situações específicas, mas pelo conjunto farsesco que a classe política tantas vezes representa.

Python Eric Idle, Graham Chapman, John Cleese, Michael Palin e Terry Jones (ingleses), e Terry Gilliam (americano) começaram a trabalhar juntos quando ainda eram universitários, alguns em Oxford, outros em Cambridge. Em 1969, “Flying Circus” começou a ser transmitido pela BBC, a TV estatal britânica. Apesar de um início de pouca audiência, o grupo foi conquistando o público aos poucos.

 Documentos tornados públicos nos anos 2000 revelaram que diretores da emissora consideravam muito do material repulsivo e inadequado. Mesmo assim, o grupo pôde fazer seu trabalho sem interferências. “A BBC geralmente nos deixava em paz e tínhamos liberdade total. Apenas quando o programa ficou muito popular é que eles começaram a vigiar mais de perto o que fazíamos”, disse Palin ao jornal The Independent, em uma entrevista de 2006.

Em janeiro, foi lançado no Brasil o livro “Monty Python – Uma Autobiografia Escrita por Monty Python”. “Fãs de comédia TÊM que ler este livro. Não. Fãs de comédia são OBRIGADOS a ler este livro – e se tornarão fãs de comédia. Pensando bem, a única razão para não ler este livro é estar morto”, declarou o escritor Antonio Prata em apresentação da obra.

Esquete do “Monty Python’s Flying Circus” que se encontra legendado em português na internet.

Tédio na cabine de comando

Theo Souza

(Publicado em 29 de junho de 2018)