Risco de vida

Mortes de Anthony Bourdain e Kate Spade alertam para crescimento dos casos de suicídio

Levantamento do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC na sigla em inglês) revela que suicídios cresceram 25% nos EUA de 1999 a 2016. A morte do chef e apresentador americano Anthony Bourdain, encontrado com sinais de suicídio aos 61 anos, no interior da França, causou forte comoção no mundo poucos dias depois de outra personalidade dos EUA, a estilista Kate Spade, ter morrido em circunstâncias similares — tendo deixado um bilhete para a filha — em Nova York, aos 55. Admirado na área da gastronomia, o Bourdain foi encontrado morto em um hotel de Estrasburgo, na França, onde gravava um episódio de seu programa de TV. Os dois casos seguidos envolvendo celebridades admiradas funcionaram como um gatilho de alerta sobre o crescimento dos suicídios nos EUA e no mundo.  Os dados estatísticos do CDC sobre suicídio mostram que mais americanos, de todas as faixas etárias, entre 10 e 75 anos, cometem suicídio. No entanto, a maior incidência é entre adultos de meia idade, como Bourdain e Kate Spade. Houve alta em todos os estados americanos, exceto o de Nevada. Só em 2016, dado mais recente disponível, quase 45 mil pessoas se mataram nos EUA, o dobro do número de vítimas de homicídio.

Foto: divulgação

Segundo o marido, Kate ‘estava brigando com seus demônios.

foto: instagram Antony Bourdain

Sucesso, holofotes e privilégios não impediram Bordain

No Brasil os últimos dados divulgados em setembro do ano passado pelo Ministério da Saúde (mês que recebe a cor amarela, de prevenção a este tipo de ocorrência), mostram que o índice de suicídios cresceu entre 2011 e 2015 no Brasil. Segundo a pasta, esta é a quarta maior causa de mortes entre jovens de 15 e 29 anos, mas os idosos são o público com maior ocorrência, com uma média de 8,9 a cada 100 mil pessoas. Em 2011, foram 10.490 mortes: 5,3 a cada 100 mil habitantes. Já em 2015 o número chegou a 11.736: 5,7 a cada 100 mil.

Anthony Bourdain movimentou a gastronomia mundial em 2001, quando lançou o excelente livro “Cozinha confidencial — Uma aventura nas entranhas da culinária”, onde contava os bastidores das cozinhas de restaurantes de Nova York, incluindo uso de drogas e até relações sexuais. Mas foi em 2013 que, definitivamente, caiu nas graças do público com o programa de TV exibido na rede CNN “Parts unknown”, no qual visitava diversos países do mundo em busca de novos sabores. A vida cercada de sucesso, holofotes e privilégios, no entanto, não impediu que ele chegasse a um ato extremo que vitima uma pessoa a cada 40 segundos em todo o mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). As estatísticas dão a dimensão de um tema complexo, ainda pouco discutido na sociedade. E estamos falando de cerca de 800 mil mortes por ano.

Já a estilista americana Kate Spade, encontrada morta no próprio apartamento dia 5 de junho, cometeu suicídio por enforcamento, o que foi confirmado pela autópsia. A estilista foi encontrada morta por uma faxineira no apartamento na Park Avenue, em Nova york. O marido, Andy Spade, com quem ela fundou a grife Kate Spade New York em 1993, e de quem estava separada há 10 meses, disse à revista “People” que a estilista “sofreu de depressão e ansiedade por muitos anos” e estava “brigando com os seus demônios pessoais”. Andy enfatizou que a estilista foi a consultas médicas nos últimos cinco anos e que tomava medicamentos para depressão e ansiedade, negando declarações de uma irmã de Kate, segundo a qual o suicídio não foi “inesperado” já que ela rejeitava tratamentos. Ainda de acordo com o marido da estilista, “não havia abuso de substâncias ou álcool”, nem “problemas de negócios” em sua rotina.

Equação aberta – O líder neste macabro ranking, de acordo com a OMS, é a Bielorrúsia com 20,5 mortes para cada 100 mil habitantes. Lá, o suicídio é a segunda principal causa de morte. As taxas têm sido assim desde os últimos dias da União Soviética na década de 1980, mas, desde o colapso dos EUA em 2008, elas aumentaram de forma bastante dramática. Estudos realizados para determinar a natureza dos suicídios na Bielorrússia, especialmente entre homens adultos, encontraram uma forte correlação com o álcool. Na verdade, a única vez que a taxa de suicídio diminuiu nos últimos 35 anos foi durante uma campanha antiálcool em meados da década de 1980. Ainda segundo a OMS, cometer suicídio é cerca de três vezes mais comum aos homens do que às mulheres, sendo envenenamento, enforcamento e armas de fogo os métodos mais comuns.

Especialistas são unânimes em afirmar que muitos fatores podem aumentar os riscos de alguém cometer suicídio, como problemas de relacionamento, financeiros ou profissionais. O abuso de drogas e transtornos mentais, como a depressão, também podem estar associados. Passar pelo fim de um relacionamento ou perder um emprego podem se tornar um gatilho para o suicídio em casos extremos. Fato é que em uma equação que resulta em um suicídio, há muitas variáveis que se fortalecem em um contexto de fragilidade, nem sempre percebido pelos outros.

Para ajudar a combater esse quadro, aqui no Brasil o Ministério da Saúde celebrou uma parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV), uma organização que oferece apoio emocional. Agora as ligações para o telefone 188, que oferece atendimento a pessoas com pensamentos suicidas, passaram a ser totalmente gratuitas. Hoje, o 188 está disponível em 23 estados e, até o fim do ano, a expectativa é que o serviço chegue a todo o país, informa o CVV, que tinha cerca de 1,3 milhão de contatos por ano. Em 2017, foram 2 milhões, e, neste 2018, a expectativa é que chegue a 3 milhões.

Theo Souza

(Publicado em 15/06/2018)

Figurinha carimbada

João Macacão é uma das figuras mais marcantes da seresta e choro na atualidade, além de grande virtuose do violão 7 cordas. Ao longo de sua carreira tocou ao lado de grandes artistas da música brasileira como Orlando Silva, Gilberto Alves e Altamiro Carrilho. Acompanhou por mais de 20 anos o seresteiro Silvio Caldas. De forma mais abrangente, seu nome circulou mais amplamente por ocasião do lançamento da coletânea Acerto de Contas de Paulo Vanzolini, onde gravou, como sempre com sua voz grave e marcante, Falso Boêmio.

O repertório de Baile de Choro, seu disco mais recente é um resgate e uma homenagem às origens do choro. Em turnê até julho pelo interior de São Paulo acompanhado por Luizinho 7 Cordas no violão, Ivan Pereira, pandeiro, André Fajersztajn, clarinete, Getúlio Ribeiro, cavaquinho e Milton Mori no bandolim. No repertório obras de grandes compositores em samba canção, serestas, samba-choro e choros cantados.

Com mais de quatro décadas de carreira, no início como chorão, João integrou o Regional Esmeraldino Salles, (músico referência do choro paulistano,  fez parte do Conjunto da Rádio e TV Tupi e gravou vários discos com seus regionais apresentando harmonizações próximas ao jazz, seguindo uma linha estilística já trilhada, por exemplo, por Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto) até montar seu próprio regional, o “Conjunto Paulistano” em 1988, que circulou o Brasil tocando em diversos teatros, bares e casas de shows. Hoje seu repertório resgata estilos musicais como seresta, choro cantado, samba-canção, e homenageia os grandes mestres do cancioneiro brasileiro.

Daniel Brazil colaborador da Revista Música Brasileira, conta que antes de se profissionalizar, João “era visto de macacão pelas ruas de São Paulo, com a caixa de ferramentas na mão, rumo ao trabalho. Encanador profissional, dos bons. Na volta do trabalho, encostava nos bares e impressionava com o seu violão bem tocado. O apelido encaixou como uma luva de encanamento: João Macacão”.

Não era qualquer um que tocava um violão de 7 cordas, como não é até hoje. Acompanhando uns e outros, acabou virando um dos acompanhantes favoritos de Sílvio Caldas. Por 20 anos sustentou a base do Caboclinho. Nas horas vagas, caía no choro. Seu violão era requisitado em várias rodas, e acabou participando de muitas formações daquilo que chamam de regional de choro.

Theo Souza

(Publicado em 08 de junho de 2018)

A atriz que inventou o wi-fi

Se um roteirista tivesse imaginado uma vida como a sua, ninguém teria acreditado em um personagem como o de Hedy Lamarr, nome artístico de nome artístico de Hedwig Eva Maria Kiesler  (Viena, 9 de novembro de 1914 – Flórida, 19 de janeiro de 2000).  Entre seus feitos, foi a primeira a ficar nua na história do cinema, a primeira interpretar um orgasmo nas telas e inventou o sistema precursor do wi-fi.

A vienense fez história com 16 anos ao aparecer nua em Êxtase, de Gustav Machaty. Iniciou assim uma carreira que a transformou na “mulher mais bonita da história do cinema”, como era conhecida em seus anos de esplendor. Mas, depois das filmagens, a estrela já em Hollywood dedicava as noites a desenvolver um sistema de salto de frequências de comunicação, precursor do atual wi-fi.

Um dia, na virada dos anos 30 para 40 do século passado, Lamarr conheceu o compositor e pianista George Antheil, um pioneiro da música mecanizada e da sincronização automática dos instrumentos. Juntos pensaram em aplicar o princípio da pianola aos torpedos dirigidos por rádio. Ou seja, empregar rolos de papel perfurado para que a frequência da comunicação fosse saltando entre 88 valores distintos (o número de teclas do piano), segundo uma sequência que somente poderiam conhecer aqueles que possuíssem um código. Isso impediria que o sistema fosse interceptado. A patente foi publicada em 11 de agosto de 1942 com o número 2.292.387, sob o título Sistema de Comunicação Secreta.

O que viria a ser o wi-fi foi patenteado como “Sistema de Comunicação Secreta”

O sistema de Antheil e Lamarr, entretanto, não foi imediatamente explorado. Para Stephen Michael Shearer, biógrafo da atriz e autor de Beautiful: The Life of Hedy Lamarr isso ocorreu por duas razões: “Primeira e mais importante, o governo não entendeu ou não conceitualizou naquele momento a comunicação sem fio”. Mas, segundo o autor, o segundo motivo se devia ao perfil incomum da inventora. “Possivelmente o invento foi encostado porque Lamarr era tida como a mais bela mulher do mundo e devemos considerar que nessa época ninguém levava a sério uma mulher bonita em questões intelectuais”.

A invenção de Antheil e Lamarr, entretanto, seria aproveitada a partir dos anos 60, quando a patente foi utilizada para o desenvolvimento de comunicações militares sem fio para mísseis guiados. Seu trabalho como inventora só foi reconhecido depois de sua morte, no ano 2000. Desde 2005 seu aniversário, em 9 de novembro, é visto como o Dia do Inventor nos países de língua alemã (Áustria, Suíça e Alemanha) e em maio de 2014, Lamarr e Antheil foram incorporados ao Inventors Hall of Fame dos EUA.

Theo Souza

(Publicado em 01 de junho de 2018)

Domínio público. Safra 2018

No Brasil e na maioria dos países europeus, o tempo contado para que obras entrem em domínio público é de 70 anos, a partir da data da morte do autor, independentemente de onde ele tenha nascido ou da data de publicação da obra (ou de quando ela foi gravada, no caso de uma canção). Em países como Canadá, Nova Zelândia e outros na Ásia e na África, a liberação das obras ocorre 50 anos após a morte do autor. Nos Estados Unidos, o período varia de acordo com o ano em que a obra foi publicada.

Em termos práticos, qualquer obra de um autor espanhol morto há 70 anos pode ser publicada ou receber nova tradução no Brasil, por exemplo, sem necessidade de autorização da família, livre do pagamento e da cessão de direitos autorais (a contar do dia 1º de janeiro do ano seguinte ao 70º aniversário de morte). A lei brasileira foi revista e ampliada em 1998 para incluir criações em suporte digital e softwares.

Estão contemplados na Lei 9.610 livros, artigos, reprodução de pinturas e esculturas, gravuras e produção audiovisual. Aos que lêem em língua inglesa, é possível acessar as obras em um prazo ainda menor, já que no Canadá e na Nova Zelândia, por exemplo, a lei libera a publicação ou a execução de um registro sonoro depois do 50º aniversário de morte de um artista.

A crescente digitalização dos acervos acelera ainda mais esse acesso. No final de todo ano, o site sem fins lucrativos The Public Domain Review publica uma seleção de obras que entrarão em domínio público em 1º de janeiro do próximo ano. Veja abaixo alguns dos artistas que completam, em 2018, entre 50 e 70 anos de sua morte:

As obras de René Magrite

René François Ghislain Magritte foi um artista surrealista belga. Ele se tornou conhecido por criar uma série de imagens espirituosas e provocativas que muitas vezes representavam objetos comuns em um contexto incomum. Ao fazer isso, ele desafiou as percepções pré-condicionadas sobre a realidade. A imagem acima, por exemplo, é de uma de suas obras que traz o desenho de um cachimbo, com o escrito “isto não é um cachimbo” escrito abaixo.

Seu trabalho foi extremamente influente, especialmente na pop art, minimalista e conceitual. Segundo o site Public Domain Review, Magritte descreveu suas pinturas como “imagens que não escondem nada; elas evocam mistério e, de fato, quando se vê uma das minhas fotos, uma pergunta simples é essa: “O que isso significa?”. Isso não significa nada, porque o mistério também não significa nada, é incognoscível, impossível de conhecer”.

Os livros de Aleister Crowley

Aleister Crowley foi um ocultista inglês, mágico cerimonial, poeta, pintor, romancista e montanhista. Ele foi muitas coisas e, pelo seu lado ligado ao ocultismo, Ozzy Osbourne, chegou a compor uma música baseada em seu trabalho, chamada Mr. Crowley. Ele fundou a religião de Thelema, identificando-se como o profeta encarregado de guiar a humanidade no Æon de Horus no início do século XX. Depois de frequentar a Universidade de Cambridge (onde alguns biógrafos alegam que foi recrutado como espião britânico), em 1898 ele se juntou à uma ordem chamada “Ordem Hermética Esotérica da Golden Dawn”, onde foi treinado em magia cerimonial.

Antes de se mudar para a Escócia, ele praticou montanhismo no México e também estudou práticas hindus e budistas na Índia. Em 1904, durante sua lua de mel no Cairo, Crowley afirmou ter sido chamado por uma entidade sobrenatural chamada Aiwass, que lhe forneceu o Livro da Lei, um texto sagrado que serviu de base para Thelema, e que entra em domínio público em 2018. Crowley ganhou notoriedade fazendo críticas sociais consideradas, muitas vezes, individualistas. À época, ele foi denunciado na imprensa como “o homem mais perverso do mundo” e um satanista.

As obras de Alice Babette Toklas

Gertrude Stein à direita e Alice B. Toklas à esquerda

A escritora norte-americana Alice Babette Toklas foi membro da vanguarda parisiense do início do século XX e parceira da escritora norte-americana Gertrude Stein. Atuando como confidente de Stein, amante, cozinheira, professora e editora Toklas permaneceu à sombra de Stein, até a publicação de um livro que conta as “memórias” de Stein, em 1933, com o título A Autobiografia de Alice B. Toklas, que passou a ser o livro mais vendido de Stein. Em 1954, Toklas publicou um livro próprio, The Alice B. Toklas Cookbook (O livro de cozinha de Alice B. Toklas), que misturava reminiscências e receitas.

Uma das receitas mais famosas é a “Haschich Fudge”, uma mistura de frutas, nozes, especiarias e “canibus sativa” [sic], nome científico para a maconha. Pela receita, seu nome foi mais tarde emprestado à gama de misturas de cannabis nos Estados Unidos, “Alice Browns Browns”. Em 1963, Toklas publicou sua autobiografia What Is Remembered (O que é lembrado, em tradução livre), que termina abruptamente com a morte de Stein.

Os livros de Winston Churchill

Não. Este não é o Winston que está no seu imaginário. O Winston Churchill da foto acima foi um romancista norte-americano do início do século XX. Ele é hoje ofuscado, obviamente, por ter o mesmo nome do estadista britânico. Porém, suas vidas tiveram alguns paralelos. Ambos estudaram em colégios públicos, atenderam às forças armadas em seus respectivos países, eram interessados arte e literatura e trabalharam ativamente no meio político. Uma de suas obras mais conhecidas é The Celebrity (A celebridade).

Para ver outras obras que também entraram em domínio público clique aqui (em inglês):

Theo Souza

(Publicado em 01/06/2019)

Fonte Imagem: Adoro Cinema

Mildred Hayes (Frances McDormand) decide cobrar da polícia alguma ação para desvendar o assassinato da filha. A atriz tem uma força magnética e impressionante como em todo o seu trabalho anterior. Mildred manda estampar mensagens em outdoors que questionam a polícia a respeito das investigações do crime. Ela é uma mulher dura, mas cativante, determinada e implacável. Ela sente dor e culpa. E quer vingança.

Os papéis complementares dos oficiais envolvidos na trama surpreendem por fugirem do lugar comum da dupla bandido/mocinho e nos torna espectadores curiosos.

Três anúncios para um crime, com direção de Martin McDonagh, trata da hipocrisia e modorra das cidades provincianas, onde tudo é levado conforme as autoridades acham por bem levar.

A direção e a fotografia exploram os personagens caricatos dos policiais, e o humor negro aparece a toda hora, com a dor, o ódio se misturando ao perdão e à compaixão.

O diretor consegue criar situações surpreendentes e inesperadas em vários momentos da trama. E ao final, fica ao encargo do espectador decidir…

Três Anúncios Para um Crime

(Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, 2017)

Direção: Martin McDonagh

Elenco Principal:   Frances McDormand, Woody Harrelson, Sam Rockwell

Patrícia Rati

(Publicado em 25 de maio de 2018)

Um amor incômodo

Fonte Imagem: Saraiva

Em Um amor Incômodo, romance de estreia de Elena Ferrante (1991), a autora explora os temas que marcarão suas obras: as relações conflituosas entre mãe e filha, a violência doméstica e das ruas, o assédio sexual, o abuso, e o papel da mulher na sociedade machista e preconceituosa da Itália.

Neste romance, Délia volta a Nápoles, onde nasceu, para o enterro da mãe que se afogou no dia do aniversário da filha, em circunstâncias incomuns. Amália, a mãe, vestia apenas um sutiã sofisticado e novo.

Nesta volta à cidade, Délia entra em contato com as figuras masculinas de sua infância e da vida inteira de sua mãe.

Ao confrontar o pai, o tio materno, e Caserta, o amigo da família sempre presente em sua vida, percebe que há lacunas em suas lembranças do passado. Então decide investigar o que aconteceu e reconstruir a história da mãe; e acaba por descobrir uma mulher diferente, com vida própria e de fato muito parecida consigo.

A autora usa uma estrutura narrativa estonteante, a história avança e recua no tempo e somos arrastados em um torvelinho de memórias e divagações sobre amor e ódio, repressão, violências físicas e verbais, abusos e valores aprendidos.

Os capítulos são curtos, a narrativa é rápida e emocionalmente intensa, e não polpa o leitor. O público feminino vai se identificar nos detalhes descritivos dos aspectos do dia a dia da mulher comum, imersos na revolução dos sentimentos e acontecimentos da trama.

Um amor incômodo
Autora: Elena Ferrante
Tradutor: Marcello Lin
Editora: Intrínseca
Ano de publicação: 1992
Ano desta edição: 2017

Patrícia Rati

(Publicado em 18/05/2018)