Meio século. Uma surpresa

Plácido Domingo

Na sexta-feira,23 de novembro, quando se encerrou para o intervalo o ato II de Il Trittico, de Puccini, na Metropolitan Opera de Nova York, o diretor do teatro Peter Gelb entrou no palco e chamou ao centro o barítono que fazia o papel principal. Plácido Domingo. Era uma surpresa: um filme com a história de sua carreira passou e Gelb lhe entregou um pedaço de madeira, naco que havia sido retirado do palco. O cantor completava, ali, 50 anos apresentando-se na principal casa americana. Já não tem mais a voz de tenor, mas segue se apresentando aos 77. O New York Times registrou e, claro, um dos presentes filmou.

Theo Souza

(Publicado em 03 de dezembro de 2018)

Andrew Solomon

Andrew Solomon
Andrew Solomon
Andrew Solomon

Andrew Solomon, jornalista, escritor de política, cultura e psicologia, venceu o National Book Award de 2001 com seu livro O demônio do meio-dia: Uma anatomia da depressão, considerado pelo jornal The Times como um dos cem melhores livros da década.

Ele é o autor de Longe da Árvore, livro premiado em 2012 com o National Book Critics Award.

Solomon nasceu em 30 de outubro de 1963, em Manhattan, onde também cresceu. Recebeu seu bacharelado em Inglês pela Universidade de Yale, em 1985, e posteriormente mestrado em inglês no Jesus College em Cambridge.

É Ph.D. em psicologia pelo Jesus College.

Sua mãe, Carolyn Bower Solomon, optou pelo suicídio assistido, após uma longa batalha contra um câncer de ovário. Posteriormente, Solomon descreveu esta experiência em um relato ficcional em seu único romance – A Stone Boat.

Solomon sofre de depressão crônica que administra com psicoterapia e medicamentos anti-depressivos.

É professor de Psicologia Clínica no Columbia University Medical Center e presidente do PEN American Center.

É ativista em direitos LGBT, saúde mental, educação e artes.

Faz palestras sobre depressão e é professor de Psiquiatria no Well-Cornell Medical College e diretor do Centro de Depressão da Universidade de Michigan.

É Conselheiro Especial em saúde mental Lésbica, Gay, Bissexual e Trangênero na Yale School of Psychiatry, entre outras atribuições.

Em abril de 2016, a editora Scribner publicou Far and Away: How Travel Can Change the World, uma coleção de reportagens internacionais de Solomon desde 1991, livro incluído, pelo New York Times, na sua lista dos cem mais notáveis livros de 2016. No Brasil, chegou às bancas pela Companhia das Letras em março, com o título Lugares Distantes.

Solomon participou de muitas entrevistas na televisão e esteve no Brasil, na FLIP, em 2014. É frequentemente convidado pela mídia para falar sobre saúde mental, família e deficiências em geral.

Atualmente vive entre Nova Iorque e Londres, com seu marido e um dos filhos.

Fontes:
https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,livro-de-andrew-solomon-mostra-que-viajar-pode-ser-o-antidoto-contra-a-intolerancia,70002221249
http://andrewsolomon.com/andrew-solomon-biography/
https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/a-depressao-esta-sempre-ali-de-alguma-forma-diz-andrew-solomon-13394980
-https://pt.wikipedia.org/wiki/Andrew_Solomon

Patrícia Rati

(Publicado em 28 de setembro de 2018)

Simon Sebag Montefiore

Fonte Imagem: Companhia das Letras

Nasceu em Londres, em 1965. Passou a maior parte dos anos 90 a percorrer o ex-império Soviético, em particular o Caucaso, a Ucrânia e a Ásia Central, tendo escrito muito sobre a Rússia. Entre seus livros destacam-se Jerusalém (2012); Uma noite de Inverno (2014) Os Romanov (2017)

Escritor, jornalista, e historiador britânico, de origem judaica, é membro de Royal Society of Literature, apresentador de documentários televisivos e vive em Londres com sua mulher e os dois filhos do casal.

Simon esteve na Flip 2018, onde participou da mesa “O poder da Alcova”. Durante a entrevista, bebeu cachaça, fez troça de Donald Trump e Vladimir Putin e contou detalhes da vida íntima dos poderosos que destrinchou em seus livros.

Confirmou a fama de libertina de Catarina, a Grande, mas apenas no sentido de ter liberdade sexual, não que fosse ninfomaníaca. Comentou que Stalin era um grande criador, para o bem e para o mal e que teria sido um mestre das fake News.

Simon disse preferir escrever livros sobre figuras políticas para serem acessíveis a qualquer pessoa. Ele faz a pesquisa acadêmica (dá atenção aos arquivos denominados miscelânea), encontra novos materiais e escreve para que as pessoas possam gostar de ler. Sua mãe atualmente com 92 anos é sua primeira leitora. Se ela gosta, ele segue em frente. Se não, ele reescreve.

Assista à entrevista completa oferecida na Flip 2018 

Fontes:
-https://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=1336
-https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=02259
-https://oglobo.globo.com/cultura/livros/flip-simon-sebag-montefiore-faz-piada-com-putin-trump-22929009

Patrícia Rati

(Publicado em 03 de agosto de 2018)

Elena Ferrante

Fonte: Imagem: Pixabay

Elena Ferrante não existe.

Pseudônimo de uma escritora napolitana (há quem diga que é um autor do sexo masculino), Ferrante escreve há mais de 20 anos, sendo sua última publicação, uma tetralogia, a série Napolitana, que a tornou conhecida no mundo todo. Não a ela, que jamais se identificou, mas a sua narrativa instigante e muito peculiar. Seu contato com a mídia se dá através de sua editora, por questionários que recebe e responde por email.  Sabemos que seus autores preferidos, Tchekhov, Gustave Flaubert, Liev Tolstói, têm fortes figuras femininas, e ela desenvolveu as mulheres protagonistas de seus enredos a partir da leitura apaixonada desses clássicos.

Seus livros tratam da relação entre as mulheres nas mais diversas possibilidades. A série Napolitana acompanha a relação de duas amigas desde a infância até a maturidade, que transita da autodisciplina de uma, à imaginação atribulada da outra.

Entretanto, seus primeiros livros são imbatíveis.

Um Amor Incômodo, no original: L’amore Molesto, 1992, seu primeiro romance, levou muitos anos para ser escrito, até que a autora se sentisse segura para publicá-lo. Trata da relação complicada e conflituosa entre mãe e filha, e a dolorosa volta ao passado da filha, necessária para reconciliar-se com a figura materna, que havia sido encontrada morta por afogamento.

Os personagens masculinos, em todos os livros, mas, particularmente neste, fazem um forte contraponto à protagonista, por serem demasiadamente machistas, violentos e abusivos.

Os Dias do Abandono (no original: I Giorni Dell’abbandono, 2002, a protagonista enfrenta o luto de uma separação, após 15 anos de relacionamento e se desintegra emocionalmente, a tal ponto que precisa ser controlada pela própria filha, uma criança ainda, até se reencontrar e poder seguir em frente. Sua narrativa aguda e o sofrimento pungente dos personagens transmitem desamparo e a devastação física e psicológica.

A Filha Perdida, no original La Figlia Oscura, 2006, trata da maternidade e suas consequências no universo feminino. A protagonista, em uma viagem de férias na praia, depois que suas próprias filhas vão morar com o pai, conhece uma menininha que perde sua boneca favorita. A partir desses elementos simples, Elena elabora os aspectos da mulher durante a gestação e em relação às figuras femininas da família.

Além da tetralogia, a “série napolitana”, e de um livro infantil, Uma noite na Praia, há também um livro que reúne cartas, bilhetes, entrevistas e ensaios, denominado Frantumaglia, onde podemos ver a autora falando de si mesma e de seu processo criativo em uma voz mais confessional. Entretanto, em nenhum momento ela quer mostrar sua identidade. Para ela sua obra é autossuficiente, se mostra e é amada pelos leitores, sem necessidade da moldura da figura do autor e sem a necessidade da promoção da mídia através da propaganda do próprio autor.

Elena Ferrante é o que sua narrativa conta.

Patrícia Rati

(Publicado em 29 de junho de 2018)

Maria Esther Bueno

Rio de Janeiro – A ex-tenista Maria Esther Bueno durante a divulgação do uniforme e de seu nome como participante do revezamento da tocha olímpica no Comitê Rio 2016, na Cidade Nova, centro da cidade (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Maria Esther Bueno, lenda mundial do tênis, fez história durante as décadas de 1950 e 1960, como a primeira representante brasileira a se destacar na modalidade. A paulistana se profissionalizou e conquistou sete títulos de Grand Slam de simples – quatro no Aberto dos Estados Unidos e três na tradicional grama de Wimbledon. Também ganhou o troféu nas duplas doze vezes.

Ela recebeu o prêmio de atleta do ano pela Associated Press em 1959, quando venceu Wimbledon e o Us Open. Foi a única atleta brasileira a receber este prêmio. Em 1960, pela primeira vez na história do tênis, uma mulher venceu todos os quatro torneios de Grand Slam na categoria de duplas (um com a britânica Christine Truman e os outros três com a americana Darlene Hard).

Por sua carreira, com 589 títulos ao todo, entrou para o Hall da Fama da modalidade no ano de 1978.

Ocupou o topo do ranking mundial em 1959, 1960, 1964 e 1966.

Em entrevista concedida ao canal do You Tube, Esporte Ponto Final, em 2015, ela contou com orgulho: “Fui recebida pelo papa, conheci a princesa Diana, os dois príncipes… A gente jogava realmente pela honra, pela vontade de ser o melhor, ser reconhecido. Sou citada em todos os livros de tênis como uma das melhores da história. Para mim, é uma vitória pessoal muito grande, ainda mais por ser mulher, porque é mais difícil, e por ser brasileira”.

Maria Esther nasceu em São Paulo, em 11 de outubro de 1939, e começou cedo; com apenas três anos, já jogava com os pais e o irmão no Clube de Regatas Tietê. Com 12 anos, ganhou seu primeiro torneio.  Aos 18 anos, conquistou seu primeiro título mundial no campeonato Orange Bowl, nos Estados Unidos. Após competir e jogar profissionalmente por mais de 18 anos, contusões e lesões faziam parte de seu dia a dia. Teve sua trajetória interrompida, no final da década de 60, por uma lesão no cotovelo direito. Ainda voltou às quadras na década de 70, porém sem o mesmo brilho. Declarou sua aposentadoria em 1977.

Também ganhou destaque pela elegância de seus trajes esportivos, tendo feito uma parceria com renomado estilista que produzia seus vestidos. Sua elegância também era evidente no estilo de jogo. Era conhecida como a “bailarina do tênis”.

Bud Collins, em “A Enciclopédia do Tênis” escreveu sobre seu balé incomparável, seu voleio bonito, suas jogadas com ousadia e brilho.

Gwen Robyns, no livro “Wimbledon: The Hidden Dream”, a descreveu como uma exótica gata siamesa na quadra, sinuosa, elegante e feminina.

Presença como convidada de honra anualmente em Wimbledon e comentarista de tênis no SportTV desde 2006, Maria Esther Bueno foi diagnosticada com um câncer na boca, que evoluiu com metástases.

Estava internada no Hospital Nove de Julho, em São Paulo, nas últimas semanas.

Ela morreu de complicações decorrentes da doença, aos 78 anos, no dia 08 de junho de 2018.

Maria Esther Bueno colocou o Brasil no mapa do tênis mundial e trouxe brilho para o nosso país. Foi a nossa primeira grande campeã do esporte e merece ser sempre lembrada.

Fontes:
-https://esporte.uol.com.br/tenis/ultimas-noticias/2018/06/08/lenda-do-tenis-mundial-maria-esther-bueno-morre-aos-78-anos.htm
-https://brasil.elpais.com/brasil/2018/06/09/politica/1528499377_310726.html
-https://radaresportivoufsm.wordpress.com/2015/04/03/quem-e-maria-esther-bueno/

Patrícia Rati

(Publicado em 15 de junho de 2018)