Figurinha carimbada

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João Macacão é uma das figuras mais marcantes da seresta e choro na atualidade, além de grande virtuose do violão 7 cordas. Ao longo de sua carreira tocou ao lado de grandes artistas da música brasileira como Orlando Silva, Gilberto Alves e Altamiro Carrilho. Acompanhou por mais de 20 anos o seresteiro Silvio Caldas. De forma mais abrangente, seu nome circulou mais amplamente por ocasião do lançamento da coletânea Acerto de Contas de Paulo Vanzolini, onde gravou, como sempre com sua voz grave e marcante, Falso Boêmio.

O repertório de Baile de Choro, seu disco mais recente é um resgate e uma homenagem às origens do choro. Em turnê até julho pelo interior de São Paulo acompanhado por Luizinho 7 Cordas no violão, Ivan Pereira, pandeiro, André Fajersztajn, clarinete, Getúlio Ribeiro, cavaquinho e Milton Mori no bandolim. No repertório obras de grandes compositores em samba canção, serestas, samba-choro e choros cantados.

Com mais de quatro décadas de carreira, no início como chorão, João integrou o Regional Esmeraldino Salles, (músico referência do choro paulistano,  fez parte do Conjunto da Rádio e TV Tupi e gravou vários discos com seus regionais apresentando harmonizações próximas ao jazz, seguindo uma linha estilística já trilhada, por exemplo, por Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto) até montar seu próprio regional, o “Conjunto Paulistano” em 1988, que circulou o Brasil tocando em diversos teatros, bares e casas de shows. Hoje seu repertório resgata estilos musicais como seresta, choro cantado, samba-canção, e homenageia os grandes mestres do cancioneiro brasileiro.

Daniel Brazil colaborador da Revista Música Brasileira, conta que antes de se profissionalizar, João “era visto de macacão pelas ruas de São Paulo, com a caixa de ferramentas na mão, rumo ao trabalho. Encanador profissional, dos bons. Na volta do trabalho, encostava nos bares e impressionava com o seu violão bem tocado. O apelido encaixou como uma luva de encanamento: João Macacão”.

Não era qualquer um que tocava um violão de 7 cordas, como não é até hoje. Acompanhando uns e outros, acabou virando um dos acompanhantes favoritos de Sílvio Caldas. Por 20 anos sustentou a base do Caboclinho. Nas horas vagas, caía no choro. Seu violão era requisitado em várias rodas, e acabou participando de muitas formações daquilo que chamam de regional de choro.

Theo Souza

(Publicado em 08 de junho de 2018)

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