O medo

/ / Leitura e arte
Fonte Imagem: Pixabay

Os cientistas reconhecem dois tipos distintos de medo. O primeiro é o medo inato, aquele inscrito em nossos genes. Em um experimento controlado, o animal a principio demonstra um comportamento de avaliação de risco. Ele checa o ambiente cuidadosamente à procura pelo alimento que pode sentir pelo cheiro. Quando entende que não há riscos, se torna cada dia mais relaxado. Mas quando é colocado diante de um predador pela primeira vez, ele identifica o perigo de vida através de informações herdadas em seu DNA. É o medo inato. Primário, não relacionado ao córtex cerebral e não relacionado ao aprendizado.

As áreas do córtex relacionadas ao aprendizado e à memória não organizam a resposta de defesa inata.

Em experimento realizado no Instituto de Ciências Biológicas da USP, descobriu-se que o medo aprendido sim, está relacionado ao córtex cerebral. Quando a partir da exposição ao predador, o animal volta a procurar alimento, ele estará muito mais relutante e temeroso.

Estas descobertas tentam explicar as reações exacerbadas do estresse pós-traumático e pesquisas vem sendo realizadas para o tratamento desta e outras doenças relacionadas ao estresse, como a síndrome do pânico.

O medo, o estresse e a ansiedade sempre ajudaram o homem a identificar e evitar o perigo e com isso evoluir. O corpo se prepara para fugir ou lutar. Ao perceber uma ameaça, o cérebro ativa o circuito do medo. Formado pela amigdala e o hipocampo, o sistema dispara a liberação de neurotransmissores para preparar o corpo para reagir.

Dopamina, cortisol, adrenalina e endorfinas são liberadas.  A pressão sanguínea aumenta, assim como as frequências respiratória e cardíaca, as pupilas dilatam e o rosto fica corado.

Entretanto, se o “monstro” é desmascarado, (como por exemplo se assistimos a um filme de terror) o cérebro percebe o embuste através do hipocampo que entra com o lado racional da reação, e diferencia que não há perigo real e interrompe o processo. Mas aquela liberação inicial de dopamina e endorfinas é suficiente para a sensação de prazer e calma que muitos gostam de sentir ao experimentar o medo controlado.

Fontes:
-https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-biologicas/cientistas-descrevem-circuito-cerebral-ligado-ao-estresse-pos-traumatico/
-https://www.youtube.com/watch?v=kPhH2BE9yZ0
-http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI113919-17579,00-ENTENDA+POR+QUE+GOSTAMOS+DE+SENTIR+MEDO.html
-https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/10/31/A-ciência-que-explica-por-que-tantas-pessoas-gostam-de-sentir-medo

Patrícia Rati

(Publicado em 14 de setembro de 2018)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *