O racismo e a genética

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“O racismo é um antigo flagelo da humanidade”. A frase, pronunciada por Luigi Cavalli Sforza, morto neste ano, não sintetizaria melhor seu legado. Luca, como todos o chamavam, nasceu em Genova em 1922, estudou Medicina em Turim e depois em Pavia, e descobriu que a medicina não era sua verdadeira paixão, e sim o que a mosca da fruta, a famosa Drosophila, permitia que estudasse: a genética.

O geneticista desmontou o conceito de raça humana. Entendeu, desde o princípio, que a multidisciplinaridade seria a chave para alcançar resultados significativos em suas pesquisas. Aprendeu matemática e principalmente estatística, uma das mais acertadas decisões de sua vida, porque seu campo pioneiro seria a genética populacional.

Ele desistiu das moscas e voltou-se para os humanos.

Descobriu, por exemplo, que os bascos têm uma incidência de 25% de Rh negativo – a mais alta do mundo, e também estudou o cromossomo Y presente somente nos homens biológicos, pesquisas que corroboraram a teoria de que todo  o DNA dos primeiros hominídeos deixou de fato o continente africano há 100.000 anos para colonizar o restante do planeta.

Através da genética de populações construiu uma arvore genealógica da humanidade  e hoje os geneticistas podem detectar sinais de acontecimentos remotos em nossa genealogia.

O geneticista Sforza, em seu famoso ensaio Genes, Povos e Línguas (1996) montou um atlas genético” ao reunir demografia, linhas filogenéticas das populações mundiais, linguística e arqueologia, descobrindo que todas contam a mesma história. 

Em suas pesquisas define finalmente que as “raças humanas” não existem geneticamente. Os seres humanos são bastante homogêneos geneticamente, os grupos que nos formam não são nitidamente separados, em vez disso constituem um continuum. Não há distância genética útil, as diferenças genéticas não justificam em nenhum caso o conceito de raça e muito menos o racismo.

A interação entre a cultura e a genética de um povo é o que justifica as diferentes populações humanas.

Mas Sforza não se iludia. Em seu ensaio Quem Somos? Pondera: “As forças sociais e econômicas determinam em grande medida o que a ciência faz e como faz”.

Por outro lado, segundo o filósofo Eduardo Giannetti, autos do livro Trópicos Utópicos, há uma diferença significativa no racismo americano e brasileiro, por exemplo. O “racismo” no Brasil é muito mais social. Sabe-se que os negros estudam menos, sabem menos e são mais pobres, sendo assim mais inclinados ao crime.

Para ele é muito importante que desde a escola se aprenda que não há raças e sim etnias e que todos são humanos igualmente, e igualmente ricos e dignos de respeito.

Fontes:
-https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/03/ciencia/1535974124_908508.html
-https://brasil.elpais.com/brasil/2016/06/26/opinion/1466966859_490736.html

Patrícia Rati

(Publicado em 21 de setembro de 2018)

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