Um amor incômodo

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Fonte Imagem: Saraiva

Em Um amor Incômodo, romance de estreia de Elena Ferrante (1991), a autora explora os temas que marcarão suas obras: as relações conflituosas entre mãe e filha, a violência doméstica e das ruas, o assédio sexual, o abuso, e o papel da mulher na sociedade machista e preconceituosa da Itália.

Neste romance, Délia volta a Nápoles, onde nasceu, para o enterro da mãe que se afogou no dia do aniversário da filha, em circunstâncias incomuns. Amália, a mãe, vestia apenas um sutiã sofisticado e novo.

Nesta volta à cidade, Délia entra em contato com as figuras masculinas de sua infância e da vida inteira de sua mãe.

Ao confrontar o pai, o tio materno, e Caserta, o amigo da família sempre presente em sua vida, percebe que há lacunas em suas lembranças do passado. Então decide investigar o que aconteceu e reconstruir a história da mãe; e acaba por descobrir uma mulher diferente, com vida própria e de fato muito parecida consigo.

A autora usa uma estrutura narrativa estonteante, a história avança e recua no tempo e somos arrastados em um torvelinho de memórias e divagações sobre amor e ódio, repressão, violências físicas e verbais, abusos e valores aprendidos.

Os capítulos são curtos, a narrativa é rápida e emocionalmente intensa, e não polpa o leitor. O público feminino vai se identificar nos detalhes descritivos dos aspectos do dia a dia da mulher comum, imersos na revolução dos sentimentos e acontecimentos da trama.

Um amor incômodo
Autora: Elena Ferrante
Tradutor: Marcello Lin
Editora: Intrínseca
Ano de publicação: 1992
Ano desta edição: 2017

Patrícia Rati

(Publicado em 18/05/2018)

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