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Uma resposta humana natural ao mergulho é acionada, quando prendemos a respiração e ficamos submersos na água: a frequência cardíaca diminui, temos vasoconstricção periférica para preservar a oxigenação dos órgãos vitais e, finalmente, ocorre uma contração do baço, que é um reservatório de glóbulos vermelhos oxigenados, dando-nos um reforço de oxigênio. Segundo a pesquisadora Melissa Ilardo, do Centro de Geogenética da Universidade de Copenhague e autora do estudo publicado pela revista científica Cell, o baço é uma espécie de “tanque de mergulho” biológico durante longas incursões debaixo d’água. O baço não é fundamental à vida. Entretanto, ele ajuda a sustentar o sistema imunológico e recicla os glóbulos vermelhos. Pesquisas anteriores de Melissa Llardo mostraram que focas, mamíferos marinhos que passam a maior parte da vida

Encontro

Meu pai perdi no tempo e ganho em sonho. Se a noite me atribui poder de fuga, sinto logo meu pai e nele ponho o olhar, lendo-lhe a face, ruga a ruga. Está morto, que importa? Inda madruga e seu rosto, nem triste nem risonho, é o rosto, antigo, o mesmo. E não enxuga suor algum, na calma de meu sonho. Oh meu pai arquiteto e fazendeiro! Faz casas de silêncio, e suas roças de cinza estão maduras, orvalhadas por um rio que corre o tempo inteiro, e corre além do tempo, enquanto as nossas murcham num sopro fontes represadas. Carlos Drummond de Andrade (poeta, contista e cronista brasileiro) ANDRADE, Carlos Drummond de. Carlos Drummon de Andrade – Obra Completa. Rio de Janeiro: Companhia José

Expansões

Expansões Paul Géraldy (dramaturgo e poeta francês) Eu gosto, gosto de você! Compreende? Eu tenho por você uma doidice… Falo, falo nem sei o quê, mas gosto, gosto de você. Você ouviu bem isso que eu disse?… Você ri? Eu pareço um louco? Mas que fazer para explicar isso direito, para que você sinta?.. O que eu digo é tão ôco! Eu procuro, procuro um jeito… Não é exato que o beijo so pode bastar. Qualquer coisa que me afoga, entre soluços e ais. É preciso exprimir, traduzir, explicar… Ninguém sente senão o que soube falar. Vive-se de palavras, nada mais. Mas é preciso que eu consiga essas palavras e que eu diga, e você saiba… Mas, o quê? Se eu soubesse falar como um

Meio século. Uma surpresa

Na sexta-feira,23 de novembro, quando se encerrou para o intervalo o ato II de Il Trittico, de Puccini, na Metropolitan Opera de Nova York, o diretor do teatro Peter Gelb entrou no palco e chamou ao centro o barítono que fazia o papel principal. Plácido Domingo. Era uma surpresa: um filme com a história de sua carreira passou e Gelb lhe entregou um pedaço de madeira, naco que havia sido retirado do palco. O cantor completava, ali, 50 anos apresentando-se na principal casa americana. Já não tem mais a voz de tenor, mas segue se apresentando aos 77. O New York Times registrou e, claro, um dos presentes filmou. Theo Souza (Publicado em 03 de dezembro de 2018)

A arara de Churchill

A arara de Churchill

Com um comportamento bastante contemporâneo, uma centenária ainda tem energia para xingar direitistas, fascistas e, principalmente, Hitler. Seu nome é Charlie. É uma arara, acaba de completar 104 anos e pertenceu a Winston Churchill. Embora a soberba plumagem azul e ouro da ave tenha perdido um pouco de seu fulgor com os anos, “Charlie” manteve na velhice, pelo menos aparentemente, todas as suas faculdades. Entre suas expressões favoritas, estão “maldito Hitler” e “malditos nazistas”, que repete com o sotaque característico de Churchill. A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 26 de novembro, pelo “Daily Mirror”. Churchill comprou o pássaro em 1937 e logo ensinou-a a xingar. “Churchill não está mais entre nós, mas graças a ‘Charlie’, seu espírito, seu palavreado e sua determinação perduram”, disse James

Deu no NYT: a ciência também precisa de reforma

Dos 20 mil genes presentes no nosso DNA, cerca de 5.400 nunca foram objeto de um único artigo. Uma pequena fração — 2.000 deles — tem ocupado a maior parte da atenção e são foco de 90% dos estudos científicos publicados nos últimos anos. Os motivos são vários, e dizem muito sobre como os cientistas fazem ciência. Um deles é que os pesquisadores tendem a se concentrar em genes que foram estudados por décadas — não só porque é mais fácil, mas porque os prêmios e a academia também estimulam isso. O problema é que, nesse ritmo, levaria um século ou mais para os cientistas publicarem pelo menos um artigo sobre cada um dos nossos 20 mil genes. Para especialistas, os cientistas não vão mudar

Netflix para ler - e pensar

Netflix para ler – e pensar

O Instituto Moreira Salles – IMS Paulista, lançou uma plataforma à la Netflix de ensaios literários e entrevistas. Chama-se Artepensamento. São 315 ensaios de 124 autores diferentes — entre eles, Jorge Coli, Paulo Leminski, Celso Lafer, Eugênio Bucci, Maria Rita Kehl, Marilena Chaui e Francis Wolff. O site já está no ar – artepensamento.com.br. É de graça. 2.527 crônicas da era de ouro Rubem Braga um dos maiores, senão o cronista-mor, em ilustração de Weberson Santiago O Instituto Moreira Salles (IMS) e a Casa de Rui Barbosa se uniram para criar o Portal da Crônica Brasileira, que dá acesso a recortes de jornal e transcrições de textos de grandes cronistas do país, como Paulo Mendes Campos, Rachel de Queiroz, Rubem Braga, Antônio Maria, Clarice Lispector e Otto

Uma questão de educação

O índice de pessoas que não cursaram o ensino médio no Brasil representa mais do que o dobro da média apurado em estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE O Brasil é um dos países com o maior número de pessoas sem diploma do ensino médio: mais da metade dos adultos (52%) com idade entre 25 e 64 anos não atingiram esse nível de formação, segundo o estudo Um Olhar sobre a Educação, divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) na última semana de setembro. A organização de cooperação internacional composta por 35 países com sede em Paris, destaca que o menor nível de escolaridade tende a ser associado com a maior desigualdade de renda. No caso do

A devassa nos pássaros

O dodô talvez seja o mais conhecido exemplo de pássaro que desapareceu do planeta devido à ação humana, mas o número de espécies extintas ou em vias de extinção é imenso. De acordo com o relatório State of the World’s Birds, divulgado pela ONG BirdLife International, indica que uma em cada oito espécies está ameaçada. São 1.469 aves em perigo, segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, sendo 222 em situação crítica. A estimativa é que nos últimos 500 anos 183 aves desapareceram. Desde a virada do século, três espécies desapareceram na natureza: a ararinha azul, que vivia no norte da Bahia e agora só existe em cativeiro; o corvo do Havaí, que era encontrado nas matas dos vulcões Mauna Loa e Hualālai;

Andrew Solomon

Andrew Solomon

Andrew Solomon, jornalista, escritor de política, cultura e psicologia, venceu o National Book Award de 2001 com seu livro O demônio do meio-dia: Uma anatomia da depressão, considerado pelo jornal The Times como um dos cem melhores livros da década. Ele é o autor de Longe da Árvore, livro premiado em 2012 com o National Book Critics Award. Solomon nasceu em 30 de outubro de 1963, em Manhattan, onde também cresceu. Recebeu seu bacharelado em Inglês pela Universidade de Yale, em 1985, e posteriormente mestrado em inglês no Jesus College em Cambridge. É Ph.D. em psicologia pelo Jesus College. Sua mãe, Carolyn Bower Solomon, optou pelo suicídio assistido, após uma longa batalha contra um câncer de ovário. Posteriormente, Solomon descreveu esta experiência em um relato ficcional em seu

Longe da árvore

Longe da Árvore, publicado pela Companhia das Letras em 2013, é um livro escrito por Andrew Solomon, onde ele analisa o que acontece com as famílias que têm filhos fora dos padrões habituais. Aquelas famílias que precisam se ajustar aos filhos, quando descobrem que têm autismo, ou são surdos, ou transgêneros ou crianças prodígio. Crianças diferentes que por isso entraram em confronto com o afeto de seus pais. São transtornos ou deficiências que devem ser considerados doenças e tratados ou devem ser considerados como identidades? Solomon, ele próprio, era disléxico e recebeu muito apoio e orientação de seus pais, conforme ele mesmo descreve, mas o mesmo não ocorreu, quando se viu às voltas com sua homossexualidade. Ele define essas crianças divergentes como identidades horizontais –

A pílula mágica

Documentário exibido pela Netflix, “A pílula mágica” aborda a inadequação de nossa alimentação, tão diferente daquela que nossos antepassados faziam. Porque apesar de toda a história da humanidade mostrar que sobrevivemos graças a uma dieta natural, sem açúcar e sem alimentos processados, nos últimos tempos aderimos a dietas completamente opostas e fáceis de adquirir, industrializadas e açucaradas. A proposta é promover a dieta cetogênica. Sim, gordura animal, gordura saturada e com zero açúcar, causador e coadjuvante de várias doenças modernas. O filme acompanha a saga de pessoas em diferentes situações de vida que se submetem ao experimento da dieta cetogênica, com resultados bons, na opinião de médicos, fazendeiros e outros especialistas da área de saúde, trazendo o alento de que esta dieta pode erradicar doenças

O racismo e a genética

“O racismo é um antigo flagelo da humanidade”. A frase, pronunciada por Luigi Cavalli Sforza, morto neste ano, não sintetizaria melhor seu legado. Luca, como todos o chamavam, nasceu em Genova em 1922, estudou Medicina em Turim e depois em Pavia, e descobriu que a medicina não era sua verdadeira paixão, e sim o que a mosca da fruta, a famosa Drosophila, permitia que estudasse: a genética. O geneticista desmontou o conceito de raça humana. Entendeu, desde o princípio, que a multidisciplinaridade seria a chave para alcançar resultados significativos em suas pesquisas. Aprendeu matemática e principalmente estatística, uma das mais acertadas decisões de sua vida, porque seu campo pioneiro seria a genética populacional. Ele desistiu das moscas e voltou-se para os humanos. Descobriu, por exemplo,

O carrapato-estrela e a febre maculosa

O carrapato-estrela, (Amblyomma cajennense), também conhecido como carrapato de cavalo ou rodoleiro, é o principal vetor da bactéria Rickettsia rickettsii, agente etiológico da febre maculosa. O carrapato estrela costuma parasitar cavalos, bois e capivaras. No Brasil, também são reconhecidos como vetores da febre maculosa o Amblyomma aureolatum – comum em cães) e o Amblyomma dibutatum – comum em capivaras. Os carrapatos vivem de 18 a 36 meses e uma vez infectados pela bactéria Rickettsia rickettsii, serão contaminantes durante toda a vida, inclusive de forma vertical, de uma geração para outra de carrapatos. Outra forma de infecção é através da cópula. Para ocorrer a transmissão da bactéria, o carrapato precisa estar aderido à pele humana por pelo menos 4 horas. A picada do carrapato adulto e

O medo

Os cientistas reconhecem dois tipos distintos de medo. O primeiro é o medo inato, aquele inscrito em nossos genes. Em um experimento controlado, o animal a principio demonstra um comportamento de avaliação de risco. Ele checa o ambiente cuidadosamente à procura pelo alimento que pode sentir pelo cheiro. Quando entende que não há riscos, se torna cada dia mais relaxado. Mas quando é colocado diante de um predador pela primeira vez, ele identifica o perigo de vida através de informações herdadas em seu DNA. É o medo inato. Primário, não relacionado ao córtex cerebral e não relacionado ao aprendizado. As áreas do córtex relacionadas ao aprendizado e à memória não organizam a resposta de defesa inata. Em experimento realizado no Instituto de Ciências Biológicas da

O Sentido da Menopausa

A espécie humana compartilha com apenas outras quatro espécies uma particularidade intrigante: a menopausa. Afinal porque um animal deveria passar a metade de sua vida adulta sem ser capaz de se reproduzir? Entre os primatas, por exemplo, as fêmeas continuam se reproduzindo até bem próximo da época de morrer. Os animais que fazem parte do grupo da menopausa são a baleia beluga, o Narval, a orca e a baleia-piloto tropical, além de nós, humanos. Para compreender o sentido da menopausa em termos evolutivos, um pesquisador da Universidade de Exeter Sam Ellis, lançou a hipótese de que uma espécie precisaria de uma razão para as fêmeas que não se reproduzem seguissem vivendo. Entre as orcas, isso se justificaria porque tanto as mães quanto as filhas permanecem

Sharp objects

Série baseada em livro homônimo de Gillian Flynn, Sharp Objects desenrola-se em um clima lento mas tenso o tempo todo. A repórter de crimes Camille Preaker  ( Amy Adams) retorna à sua cidade natal para investigar o assassinato de duas adolescentes. Reencontra sua mãe, a hipocondríaca e etérea Adora Crellin (a ótima Patricia Clarkson), a meia irmã, que quase não conhece, Amma (Eliza Scallen) e o padrasto (Henry Czerny).  Todos os seus fantasmas afloram ao voltar a morar na mansão vitoriana em que cresceu. Camille, Adora e Amma vivem uma relação conflituosa de codependência e de dominação, que permeia de mistérios todos os episódios. O que menos importa na história é desvendar o assassinato das adolescentes. Camille esconde um grande segredo. Ela é feita de

Procrastinação

Procrastinação é o ato de adiar constantemente a realização de um trabalho, atividade ou compromisso pessoal ou profissional. O procrastinador deixa para depois. Este adiamento está relacionado a problemas de concentração e ansiedade, baixa autoestima e estresse, sentimentos sabotadores que desviam a pessoa de seus objetivos. Há desconforto psicológico e emoções negativas. A nível profissional, o procrastinador adia por considerar a tarefa muito fácil de fazer, ou muito difícil para realizar sozinho. Pode estar também sem motivação para suas demandas. Assim, acaba fazendo outras coisas que lhe ocupam o tempo de cumprir suas responsabilidades e deixa tudo para a última hora. O sofrimento é inevitável: A culpa, a perda de produtividade, e a vergonha por perder prazos e compromissos deterioram suas relações interpessoais e profissionais.

Um Lugar Silencioso

Um Lugar Silencioso (A Quiet Place) — EUA, 2018 Direção: John Krasinski Roteiro: Bryan Woods, Scott Beck, John Krasinski Elenco: Emily Blunt, John Krasinski, Millicent Simmonds, Noah Jupe, Cade Woodward, Leon Russom, Doris McCarthy Com poucos elementos e um roteiro muito inovador, em Um Lugar Silencioso a tensão aumenta progressivamente enquanto a trama se desenrola.  Há angústia, pavor e desespero na absoluta falta de diálogos, já que o silêncio é necessário para a sobrevivência e qualquer ruído é ainda mais aterrorizante porque deflagra o inusitado. O uso da linguagem dos sinais característico de cada personagem, de certa forma define a personalidade de cada integrante da família.  A  interpretação brilhante de Emily Blunt, como a mãe grávida que precisa proteger a todos, se nota na força

A Gorda – Isabela Figueiredo

A Gorda, o primeiro romance da moçambicana Isabela Figueiredo, é provavelmente um texto autobiográfico, já que a própria autora avisa de forma sutil que tudo na narrativa é “mera ficção e pura realidade”. Maria Luísa, a gorda do título, vive todo o tempo com a rejeição e a invisibilidade por ser como é, por ter esse rótulo. É baleia, monstro, orca em um mundo onde somente os homens têm direito de serem grandes. Assim como a escritora, a personagem se submeteu a uma cirurgia bariátrica e emagreceu 40 quilos. Maria Luísa, a heroína, é inteligente, forte, com ótima personalidade… Mas é gorda. Fica ao lado da mais feia no colégio, na festa de fim de curso. Mas vai em frente. Ao se olhar no espelho,

No mais novo filme da série Missão Impossível – Efeito Fallout, Ethan Hunt (o incansável ator Tom Cruise) continua a trabalhar nos conflitos entre agências de espionagens, seus métodos de ação, e contra-espionagem. No filme, como sempre há figuras estranhas, ambíguas, grandes armações e divertidos desenlaces, perigos e soluções elaboradas e realmente impossíveis, cenas de luta bem realizadas e de perseguição intermináveis, enfim, todos os ingredientes que o diretor sabe muito bem dosar para o grande filme da série. O ator, que insiste em fazer boa parte das cenas de ação, apimentando a mágica do filme, transforma o personagem em um mito que nos mantem focados em seu raciocínio para o bem, e para seu senso de justiça, que muitas vezes o atrapalha, a ponto

Extinction

Peter, (Michael Peña) sonha repetidamente com destruição e morte de sua família e amigos, e o que os outros imaginam serem problemas psicológicos, torna-se realidade quando uma invasão da terra por forças brutais e desconhecidas acontece. A principio um mero filme de ficção cientifica, como tantos que já vimos, este surpreende quando um dos invasores se mostra demasiadamente humano, e Peter se percebe com uma capacidade excepcional para a luta.  Nesta virada do enredo está a grande força do filme. Extinction (2018) Gênero(s) Ficção Suspense Drama Ação Diretor Ben Young Roteirista Spenser Cohen Eric Heisserer Brad Kane Elenco Mike Colter, Lizzy Caplan, Michael Peña, Israel Broussard, Emma Booth, Tom Riley, Lilly Aspell, Lex Shrapnel, Erica Tremblay, Amelia Crouch Patrícia Rati (Publicado em 17 de agosto

Longevidade

A Global Coalition on Aging, (Coalisão Global sobre o Envelhecimento) que estuda soluções para o desafio do envelhecimento da população, demonstrou que em 2050 haverá 2 bilhões de idosos no planeta, sendo que a faixa etária que mais crescerá é aquela acima de 80 anos. Tornar-se centenário será comum… É preciso dar condições de atender a essa nova demanda populacional. Um relatório divulgado pela Academia de Medicina de Nova York em junho de 2018 enfatiza que se deve trabalhar para maximizar a participação social, física e econômica das pessoas idosas, melhorando sua saúde e fortalecendo as comunidades. O bem-estar financeiro é um componente fundamental, portanto é preciso quebrar os pressupostos sobre aposentadoria e adotar novos modelos de trabalho e economia, além das novas realidades de

O direito à informação

Com a evolução da medicina e a desmitificação do médico com soberano no poder da cura, é fundamental que as decisões do paciente sejam respeitadas. Os deveres do médico constam no Código de Ética Médica e também em legislação comum como o Código de Defesa ao Consumidor. (CDC) Segundo o Supremo Tribunal de Justiça, a falta de informação sobre tratamentos e procedimentos e de risco cirúrgico, ao paciente e/ou seus representantes legais, constitui falha na prestação de serviço e pode gerar dano moral com direito a indenização. O médico e o hospital tornam-se responsáveis pelo pagamento de indenização. O médico é responsável pelos danos causados ao paciente em decorrência de negligencia, imperícia ou imprudência. Entretanto, a omissão de informações decisivas também é causa. No Brasil,

O mar deve ter um coração

Em interessante matéria publicada por Paula Paiva Paulo, no G1, pai e filho de uma aldeia indígena do Mato Grosso, acostumados com a água doce do rio Papagaio, foram conhecer a água salgada do mar de Santos. Vieram a São Paulo, convidados para participar de um seminário sobre as modalidades da fala entre os indígenas. Hesitantes a principio, um deles comentou sobre a água muito salgada e grudenta, enquanto o outro comparou o vai e vem das ondas com o movimento de um coração. “As águas vão e voltam, nunca correm só numa direção. Ele é como o sangue do nosso corpo, que pulsa sem parar. Por isso o mar deve ter um coração também, que nem a gente”. Para o povo Myky, os elementos

Simon Sebag Montefiore

Nasceu em Londres, em 1965. Passou a maior parte dos anos 90 a percorrer o ex-império Soviético, em particular o Caucaso, a Ucrânia e a Ásia Central, tendo escrito muito sobre a Rússia. Entre seus livros destacam-se Jerusalém (2012); Uma noite de Inverno (2014) Os Romanov (2017) Escritor, jornalista, e historiador britânico, de origem judaica, é membro de Royal Society of Literature, apresentador de documentários televisivos e vive em Londres com sua mulher e os dois filhos do casal. Simon esteve na Flip 2018, onde participou da mesa “O poder da Alcova”. Durante a entrevista, bebeu cachaça, fez troça de Donald Trump e Vladimir Putin e contou detalhes da vida íntima dos poderosos que destrinchou em seus livros. Confirmou a fama de libertina de Catarina,

Nunca houve um castelo

A autora, Martha Batalha, conta, em seu romance, a trajetória da família de Johan Edward Jansson, cônsul da Suécia no Brasil, no inicio do século XX. O casal se forma em uma passagem de ano em Estocolmo, se casa e vem viver sua saga familiar no Rio de Janeiro, onde constroem um castelo na então distante e erma Ipanema, em 1904. O texto é muito sensível, com bom humor e dramaticidade balanceados, e os personagens complexos se misturam à história do Brasil nas últimas décadas, trazendo os ideais femininos, o desejo de ascensão social, a revolução sexual, e a política mesclada à deterioração do país. Ao longo do século em que se passa o romance, refletimos sobre escolhas, arrependimentos e mudanças pessoais e temporais, enquanto

Manoela – Conto

Quando Manoela caiu em si, o mundo estava de cabeça para baixo. Ergueu-se devagar e contraía o rosto; dor a cada movimento.Houvera uma guerra. Uma batalha sangrenta. O ódio inusitado, a falta de sentido, duas crianças caídas, no relaxamento da morte, como se dormissem. Manoela frágil, fraca, triste, uma dolorosa lástima pelas perdas viscerais que teve. Ergueu-se de novo. Começou reunindo os brinquedos, juntou em um saco de juta e levou até a escola duas quadras à frente. Os danos manifestos em cada grão de terra e nas gotas vermelhas, e nas feridas das paredes. Distribuiu, entre as crianças que sobreviveram, os brinquedos e as roupas que as filhas não precisavam mais. Reconheceu a gratidão nos olhos miúdos e trágicos. Ali era seu lugar. Não

Manhunt: Unabomber – Drama

A série trata da história do agente do FBI Jim Fitzgerald (Sam Worthington) contratado para encontrar e capturar um dos maiores terroristas dos EUA (a série é baseada em fatos reais). Fitzgerald utiliza o que chamou de Linguística Forense para identificar aquele que há mais de 15 anos engana a polícia. Os agentes do FBI não dão crédito ao novato e preferem seguir em frente com suas teorias obsoletas e impressões erradas, que há tantos anos indicam um autor que não condiz com o perfil que o novo contratado imagina pertencer ao serial bomber. Ted Kaczynski, o Unabomber, (Paul Bettany), um prodígio que aos 16 anos estava em Harvard, estabeleceu uma filosofia de vida toda própria, e através de seu manifesto – A Sociedade Industrial

As abelhas meliponas

As abelhas que conhecemos no Brasil não são nativas. As estrangeiras, as apis, de origem africana ou europeia, que costumam ser vistas rondando doces e refrigerantes, são mais produtivas e por isso mais populares para a criação. Entretanto tem ferrão e devem ser manejadas com muito cuidado e roupas apropriadas. Já as abelhas nativas, as melíponas, tem ferrão atrofiado. Elas não picam. Portanto, não instilam veneno, não causam alergia. Seu sistema de defesa é diferente. Nossas abelhas produzem um mel mais líquido, mais úmido e com um tempo de durabilidade menor. Elas produzem de um a três quilos de mel por ano e as maiores no máximo 10 quilos por ano.  Entretanto elas podem ser criadas até em apartamento, como animais de estimação. Podemos coletar

1565 – Enquanto o Brasil nascia

Escrito em uma narrativa jornalística agradável, em ritmo de prosa, “1565 – Enquanto o Brasil Nascia”, do jornalista Pedro Dória, conta a saga da família Sá que mandou e desmandou na construção do Rio de Janeiro na época de seu desenvolvimento.  A partir da fundação do Morro do Castelo e chegando aos distantes engenhos de Realengo, Engenho de Dentro, Engenho Novo, e os vários caminhos que foram abertos para os outros bairros da cidade, o autor nos brinda com histórias sobre a origem e o porquê dos nomes que hoje carregam, Botafogo, Gávea e Copacabana, por exemplo. A influência das várias correntes religiosas da Igreja Católica também é abordada no livro com seu importante papel histórico: os beneditinos, os carmelitas e principalmente os jesuítas.  Trata

Mentes depressivas

Em “Mentes Depressivas”, a psiquiatra, dra. Ana Beatriz Barbosa Silva, aborda de maneira didática e simples os inúmeros aspectos da depressão. Desde a compreensão e identificação de um quadro depressivo, passando pelas causas, os diferentes tratamentos e as associações com outras patologias. Também aborda, separadamente, a depressão durante a infância e a adolescência e na terceira idade. Fala da depressão feminina e sua relação com as questões hormonais. Sua linguagem é bastante acessível e ela transmite um alento ao mostrar casos e situações em que houve sucesso pessoal nas abordagens. Também demonstra seu grande prazer em tratar, cuidar e trazer de volta seus pacientes do estado depressivo à vida ativa. Incita esperanças a todos em um mundo onde a falta de um objetivo e de

Mergulhos fantásticos

O médico anestesista e mergulhador Richard Harris, especialista em resgate em cavernas, foi quem conseguiu chegar onde os meninos da Tailândia estiveram presos por nove dias e foi uma das últimas pessoas da equipe de resgate a deixar o local. Foi ele quem avaliou as condições clínicas das crianças e do técnico, definiu a ordem em que deveriam deixar a caverna e participou de todo o projeto da operação. Segundo Sue Crowe, amiga de Harry, a presença calma do amigo confortou as crianças na caverna. Ela ainda disse que ele se certificaria de que elas estariam preparadas da melhor maneira possível para a possibilidade do mergulho. “Ele era a pessoa perfeita para apoiá-las”, disse Sue.   O médico tem trinta anos de experiência em mergulho

Você já é Jomo?

De acordo com a nova tendência, devemos valorizar mais nossa própria vida do que ficar admirando o que os outros têm e fazem das suas vidas. Afinal, se você olhar bem, vai perceber que o seu cachorro é tão, ou mais interessante do que o cão da sua amiga, que preparar suas refeições é mais eficiente do que ficar sabendo o que seus amigos estão comendo. Ter seu próprio estilo é mais interessante do que verificar o que as pessoas estão vestindo, e que sair com seus amigos é mais divertido do que apenas acompanhar virtualmente as fotos daquela balada que você nem foi. Ou, pior, para que correr o risco de perder o emprego por ficar horas ‘pendurado’ no Facebook? Sim, os patrões –

Lixo eletrônico

Equipamentos eletrônicos como CPUs, monitores, teclados, mouses, estabilizadores, no-breaks, impressoras, telefones, celulares, carregadores de celulares, fios e cabos, projetores, aparelhos de fax, CDs, DVDs, além de pequenos objetos como câmeras fotográficas, pilhas, baterias e cartuchos que são descartados diariamente e em grande quantidade por todos nós, e que têm em sua composição dezenas de substâncias que podem contaminar pessoas, animais e o meio ambiente em geral, tais como metais pesados (chumbo, mercúrio, cadmio) e outros agentes tóxicos, não podem ser descartados como lixo comum ou como lixo reciclado.  Na era digital e com o avanço da tecnologia, consumimos cada vez mais produtos e não pensamos muito nas consequências deste descarte leviano. Além da poluição do ambiente, já sobrecarregado, deixamos de reciclar uma infinidade de material,

Popular no Reino Unido e cultuado no resto do mundo, o grupo inglês de comédia Monty Python chegou à Netflix. O canal de streaming disponibilizou agora os longas-metragens do grupo, como “A vida de Brian” e “Em busca do cálice sagrado”, e os 45 episódios da série televisiva “Monty Python’s Flying Circus”. Se o humor do grupo, que nasceu meio século antes do Porta dos Fujndos, era frequentemente surrealista e nonsense, havia também muito espaço para referências da literatura e da filosofia. O mundo político também entrava na mira do grupo. Não tanto por meio da gozação de personagens ou situações específicas, mas pelo conjunto farsesco que a classe política tantas vezes representa. Python Eric Idle, Graham Chapman, John Cleese, Michael Palin e Terry Jones

Elena Ferrante

Elena Ferrante não existe. Pseudônimo de uma escritora napolitana (há quem diga que é um autor do sexo masculino), Ferrante escreve há mais de 20 anos, sendo sua última publicação, uma tetralogia, a série Napolitana, que a tornou conhecida no mundo todo. Não a ela, que jamais se identificou, mas a sua narrativa instigante e muito peculiar. Seu contato com a mídia se dá através de sua editora, por questionários que recebe e responde por email.  Sabemos que seus autores preferidos, Tchekhov, Gustave Flaubert, Liev Tolstói, têm fortes figuras femininas, e ela desenvolveu as mulheres protagonistas de seus enredos a partir da leitura apaixonada desses clássicos. Seus livros tratam da relação entre as mulheres nas mais diversas possibilidades. A série Napolitana acompanha a relação de

No maior trabalho de campo já realizado sobre a espécie, pesquisadores fizeram levantamentos em 97 locais, em 16 das 23 províncias da China. Espécimes selvagens foram encontrados em apenas quatro locais, mas análises genéticas indicam que eles não são nativos das regiões onde foram encontrados, mas provavelmente libertados de fazendas. O animal adulto pode alcançar até dois metros de comprimento, pesando mais de 60 quilos, sendo o maior anfíbio do mundo. A salamandra gigante vive em rios de água doce e, no passado, era encontrada em praticamente todo o país. Historicamente, a ingestão de sua carne era considerada um tabu, mas nas últimas décadas se transformou numa iguaria, alimentando a cobiça de caçadores. Para salvar a espécie, o governo chinês proibiu sua caça e incentivou

Maria Esther Bueno

Maria Esther Bueno, lenda mundial do tênis, fez história durante as décadas de 1950 e 1960, como a primeira representante brasileira a se destacar na modalidade. A paulistana se profissionalizou e conquistou sete títulos de Grand Slam de simples – quatro no Aberto dos Estados Unidos e três na tradicional grama de Wimbledon. Também ganhou o troféu nas duplas doze vezes. Ela recebeu o prêmio de atleta do ano pela Associated Press em 1959, quando venceu Wimbledon e o Us Open. Foi a única atleta brasileira a receber este prêmio. Em 1960, pela primeira vez na história do tênis, uma mulher venceu todos os quatro torneios de Grand Slam na categoria de duplas (um com a britânica Christine Truman e os outros três com a

Risco de vida

Mortes de Anthony Bourdain e Kate Spade alertam para crescimento dos casos de suicídio Levantamento do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC na sigla em inglês) revela que suicídios cresceram 25% nos EUA de 1999 a 2016. A morte do chef e apresentador americano Anthony Bourdain, encontrado com sinais de suicídio aos 61 anos, no interior da França, causou forte comoção no mundo poucos dias depois de outra personalidade dos EUA, a estilista Kate Spade, ter morrido em circunstâncias similares — tendo deixado um bilhete para a filha — em Nova York, aos 55. Admirado na área da gastronomia, o Bourdain foi encontrado morto em um hotel de Estrasburgo, na França, onde gravava um episódio de seu programa de TV. Os dois casos

Figurinha carimbada

João Macacão é uma das figuras mais marcantes da seresta e choro na atualidade, além de grande virtuose do violão 7 cordas. Ao longo de sua carreira tocou ao lado de grandes artistas da música brasileira como Orlando Silva, Gilberto Alves e Altamiro Carrilho. Acompanhou por mais de 20 anos o seresteiro Silvio Caldas. De forma mais abrangente, seu nome circulou mais amplamente por ocasião do lançamento da coletânea Acerto de Contas de Paulo Vanzolini, onde gravou, como sempre com sua voz grave e marcante, Falso Boêmio. O repertório de Baile de Choro, seu disco mais recente é um resgate e uma homenagem às origens do choro. Em turnê até julho pelo interior de São Paulo acompanhado por Luizinho 7 Cordas no violão, Ivan Pereira,

A atriz que inventou o wi-fi

Se um roteirista tivesse imaginado uma vida como a sua, ninguém teria acreditado em um personagem como o de Hedy Lamarr, nome artístico de nome artístico de Hedwig Eva Maria Kiesler  (Viena, 9 de novembro de 1914 – Flórida, 19 de janeiro de 2000).  Entre seus feitos, foi a primeira a ficar nua na história do cinema, a primeira interpretar um orgasmo nas telas e inventou o sistema precursor do wi-fi. A vienense fez história com 16 anos ao aparecer nua em Êxtase, de Gustav Machaty. Iniciou assim uma carreira que a transformou na “mulher mais bonita da história do cinema”, como era conhecida em seus anos de esplendor. Mas, depois das filmagens, a estrela já em Hollywood dedicava as noites a desenvolver um sistema

Domínio público. Safra 2018

No Brasil e na maioria dos países europeus, o tempo contado para que obras entrem em domínio público é de 70 anos, a partir da data da morte do autor, independentemente de onde ele tenha nascido ou da data de publicação da obra (ou de quando ela foi gravada, no caso de uma canção). Em países como Canadá, Nova Zelândia e outros na Ásia e na África, a liberação das obras ocorre 50 anos após a morte do autor. Nos Estados Unidos, o período varia de acordo com o ano em que a obra foi publicada. Em termos práticos, qualquer obra de um autor espanhol morto há 70 anos pode ser publicada ou receber nova tradução no Brasil, por exemplo, sem necessidade de autorização da

Mildred Hayes (Frances McDormand) decide cobrar da polícia alguma ação para desvendar o assassinato da filha. A atriz tem uma força magnética e impressionante como em todo o seu trabalho anterior. Mildred manda estampar mensagens em outdoors que questionam a polícia a respeito das investigações do crime. Ela é uma mulher dura, mas cativante, determinada e implacável. Ela sente dor e culpa. E quer vingança. Os papéis complementares dos oficiais envolvidos na trama surpreendem por fugirem do lugar comum da dupla bandido/mocinho e nos torna espectadores curiosos. Três anúncios para um crime, com direção de Martin McDonagh, trata da hipocrisia e modorra das cidades provincianas, onde tudo é levado conforme as autoridades acham por bem levar. A direção e a fotografia exploram os personagens caricatos

Um amor incômodo

Em Um amor Incômodo, romance de estreia de Elena Ferrante (1991), a autora explora os temas que marcarão suas obras: as relações conflituosas entre mãe e filha, a violência doméstica e das ruas, o assédio sexual, o abuso, e o papel da mulher na sociedade machista e preconceituosa da Itália. Neste romance, Délia volta a Nápoles, onde nasceu, para o enterro da mãe que se afogou no dia do aniversário da filha, em circunstâncias incomuns. Amália, a mãe, vestia apenas um sutiã sofisticado e novo. Nesta volta à cidade, Délia entra em contato com as figuras masculinas de sua infância e da vida inteira de sua mãe. Ao confrontar o pai, o tio materno, e Caserta, o amigo da família sempre presente em sua vida,

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