Espaço Cultural – Olavo Bilac

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O pássaro cativo
Olavo Bilac (poeta, contista, cronista e jornalista brasileiro)

Armas, num galho de árvore, o alçapão…
E, em breve, uma avezinha descuidada,
Batendo as asas, cai na escravidão!

Dás-lhe então, por esplêndida morada,
A gaiola dourada;
Dás-lhe alpiste, água fresca, ovos e tudo.

Por que é que, tendo tudo, há de ficar
O passarinho mudo,
Arrepiado e triste, sem cantar?

É que, criança, os pássaros não falam.
Só gorjeando a sua dor exalam,
Sem que os homens os possam entender;
Se os pássaros falassem,
Talvez os teus ouvidos escutassem
Este cativo pássaro dizer:

   “Não quero o teu alpiste!
   Gosto mais do alimento que procuro
   Na mata livre em que voar me viste;
   Tenho água fresca num recanto escuro
   Da selva em que nasci;
   Da mata entre os verdores,
   Tenho frutos e flores
   Sem precisar de ti!

   Não quero a tua esplêndida gaiola!
   Pois nenhuma riqueza me consola,
   De haver perdido aquilo que perdi…
   Prefiro o ninho humilde, construído
   De folhas secas, plácido, e escondido,
   Entre os galhos das árvores amigas…
   Solta-me ao vento e ao sol!
   Com que direito à escravidão me obrigas?
   Quero saudar as pombas do arrebol!
   Quero, ao cair da tarde,
   Entoar minhas tristíssimas cantigas!
   Por que me prendes? Solta-me, covarde!
   Deus me deu por gaiola a imensidade!
   Não me roubes a minha liberdade…
   Quero voar! Voar!…”

Estas coisas o pássaro diria,
Se pudesse falar,
E a tua alma, criança, tremeria,
Vendo tanta aflição:
E a tua mão, tremendo lhe abriria
A porta da prisão…

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