• Leitura e arte

    Encontro

    Meu pai perdi no tempo e ganho em sonho. Se a noite me atribui poder de fuga, sinto logo meu pai e nele ponho o olhar, lendo-lhe a face, ruga a ruga. Está morto, que importa? Inda madruga e seu rosto, nem triste nem risonho, é o rosto, antigo, o mesmo. E não enxuga suor algum, na calma de meu sonho. Oh meu pai arquiteto e fazendeiro! Faz casas de silêncio, e suas roças de cinza estão maduras, orvalhadas por um rio que corre o tempo inteiro, e corre além do tempo, enquanto as nossas murcham num sopro fontes represadas. Carlos Drummond de Andrade (poeta, contista e cronista brasileiro) ANDRADE, Carlos Drummond de. Carlos Drummon de Andrade – Obra Completa. Rio de Janeiro: Companhia José...

    agosto 11, 2019

ESPAÇO CULTURAL

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